A bituca cede a garoa ,
É molhada e intragável ,
O cigarro é dispensado a toa ,
O último pito miserável .
As roupas são consumidas ,
Em seu mundo particular retidas ,
Dispensáveis e usadas ,
Indescritíveis e deixadas .
A mochila de peso médio ,
Acompanha o temporal de tédio ,
Faz companhia aos objetos ,
Molhados em seus trajetos .
O corpo é umidecido ,
Sua cor tem desaparecido ,
A transparência da tempestade é a única cor ,
E tudo é encharcado e este enredo úmido vem compor :
" Diferentes dos antes ,
Meus olhos secaram ,
Melancolias distantes ,
As lágrimas pouco duraram .
Há tempos estou forte ,
Atento do sul ao norte ,
Sou insistente , tenho sorte ,
Desafio as leis da morte .
Sobrevivo a este inferno ,
Em pesadelos de costume hiberno ,
Vivendo este conflito interno ,
Temendo o próximo inverno .
Contrastando com a tempestade ,
Do retorno a vida tenho vontade ,
Mas não cabe a mim ,
Decidir começo , meio e fim ,
Cabe apenas a identificação ,
A desmistificação ,
O vento vem me chacoalhar ,
Já não caem mais , as garoas do olhar " .
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