domingo, 30 de abril de 2017

Soneto do amadrugado

Qualquer madrugada como essa ,
Minha sensibilidade expressa ,
A estranha solidão ,
Que ataca a entranha ,
Atinge a imensidão,
Se instala na manha .
Não sei se é certo me abrir dessa forma ,
Mas dizendo ou não , meu interior não se conforma .

Horizontes estrelados,
São meu público ,
Alinhadas lado a lado ,
Formam este painel lúdico .
Me ensinam a amar ,
Sem ser perfeito ,
Com brilho a emocionar ,
Este colorado peito .

Os pontos cardiais ,
Me mostram a direção,
Em indicações cordiais,
Um caminho seguro e com correção.
E mesmo quando há escuridão,
Falha na retidão ,
Sempre há uma escolha ,
Que me abrigue e me acolha .

Em distancias semelhantes ,
A estas aparentes e constantes ,
O mais perto são lembranças e recordações,
Que insistem em ideias e situações .
Entram em minha alma em sonho ,
Ora tristonho , Ora risonho ,
Mas enfim,
Interessante a mim,
Noites não mais drogado,
Soneto do amadrugado .
 

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Sem chão

Sem piso ,
Sem sorriso ,
Lotado de solidão ,
Preso na imensidão .
Fotos são amigos ,
Poesias são artigos ,
Poemas expressão ,
Sozinho em pressão .
Barulhos me acordam ,
Falhas transbordam ,
Exaustão e fadiga ,
Tristeza , eu que o diga .
Canções anestesiam ,
Esta frequente dor ,
Imaginações fantasiam ,
Uma pílula de pudor .
Sem ela ,
Sem ninguém ,
Preso em cela ,
Perdido também .
Personalidade decaída ,
Sem porta e nem saída ,
Nada mais é tolerado ,
Um sentimento controlado .
Extirpado ,
Expulsado ,
Um personagem que se deu mal ,
Em qualquer amor convidativo e informal .
Nada basta ,
Me afasta ,
Do que quero ,
Nada mais espero ,
Tudo perdeu o sentido ,
Neste peito contido :

" Aos finais em caixões ,
Aos amores e paixões . 
Em grau e nível ,
Exagera o comichão .
Melancolia comestível ,
Sem chão " .   




Indivíduo desaconselhado e desmotivado .

Pensei em esquecer tudo ,
Envergonhado e desnudo ,
Rumei para outros cantos ,
Aceitei e desmanchei em prantos .
Mas o passado sempre aparece ,
Na lembrança de quem esquece .
E agora retornando ,
Percebi que as feridas pouco fecharam , 
Na mente a imagem perturbando ,
Qualquer semelhança , mostra que as recordações nunca acabaram .
Nada fecha esta sangria ,
Nunca mais saberei o que é alegria ,
Me afogo em sabedoria . 
Mesmo sabendo que viria ,
Já nem sei se é certo ,
Sofri demais , mas nem sei se é correto ,
Perder bastante , para de um só vez , conseguir direto ,
Sem sombra de dúvida ,
Esta vida é única e última .
Penso ás vezes em desistir ,
Fugir de acomodar ,
Com fé resistir ,
E o mal podar .
Dois lados de uma mesma moeda ,
Um buraco no coração que pouco se veda ,
Uma cabeça confusa e destruída ,
Uma maioridade mal instruída .
Tenho defeitos , falhas e erraticidades ,
Pouco adianta mudar para outras cidades ,
Declarar uma aparência falsa , me escondendo em vaidades ,
Apenas quero o que é meu .
Minhas verdades como seres unidades .
Mas perdi , tudo envelheceu e morreu . 
Mas nem isso sei se mereço ,
Em fraquezas anoiteço ,
Abraço a escuridão e desapareço ,
Meu futuro desconheço ,
Mas a mim em parcialidade reconheço ,
Isso já é um grande avanço ,
Luto , continuo , paro e descanso .
Quando der recomeço ,
Como quando migrei andar fora do berço ,
Tenho meus motivos para estar desmotivado ,
Indivíduo desaconselhado e revoltado . 
 

  

quarta-feira, 26 de abril de 2017

As garoas do olhar

A bituca cede a garoa ,
É molhada e intragável ,
O cigarro é dispensado a toa ,
O último pito miserável .
As roupas são consumidas ,
Em seu mundo particular retidas ,
Dispensáveis e usadas ,
Indescritíveis e deixadas .
A mochila de peso médio ,
Acompanha o temporal de tédio ,
Faz companhia aos objetos ,
Molhados em seus trajetos .
O corpo é umidecido ,
Sua cor tem desaparecido ,
A transparência da tempestade é a única cor ,
E tudo é encharcado e este enredo úmido vem compor :

" Diferentes dos antes ,
Meus olhos secaram ,
Melancolias distantes ,
As lágrimas pouco duraram .
Há tempos estou forte ,
Atento do sul ao norte ,
Sou insistente , tenho sorte ,
Desafio as leis da morte .
Sobrevivo a este inferno ,
Em pesadelos de costume hiberno ,
Vivendo este conflito interno ,
Temendo o próximo inverno .
Contrastando com a tempestade ,
Do retorno a vida tenho vontade ,
Mas não cabe a mim ,
Decidir começo , meio e fim ,
Cabe apenas a identificação ,
A desmistificação ,
O vento vem me chacoalhar , 
Já não caem mais , as garoas do olhar " . 

terça-feira, 25 de abril de 2017

Vigilante do texto

Acordei com gosto de derrota ,
Esta intuição que não se comporta ,
Este sentimento selvagem e sem precedentes ,
Esta hostilidade , que insiste em mostrar os dentes .
Meu super - poder : fumar ,
Minha índole : com olhar consumar ,
Meu nome : super - herói ,
Meu sobrenome : anti - herói .
Meu dia vou narrar ,
Sem medo de errar :

" Em meio a escuridão de uma manhã tímida ,
O céu com seus raios a formar uma manhã límpida ,
Os carros começam seu trajeto ,
Histórias não faltam , eu que o diga ,
O mundo está repleto ,
De história antiga .
Mas o novo sempre vem ,
Buscando hospedeiros ,
Um alguém ,
Com fraquejares herdeiros .
Assim fui transformado ,
Transtornado e conformado .
Esperando o mal agir ,
Para salvar e reagir .
Escrever algo que salve uma vida ,
A lei e a ordem me convidam ,
Para beber do progresso bebida , 
E defender dos que revidam .
Um contexto , uma frase , um verso ,
Agindo com as leis deste universo ,
Chegarei quando preciso ,
Provarei ao indeciso ,
Que o bem sempre vence ,
E ao mais nobre convence ,
Que há meios de combater a maldade ,
Com um pouco de ação , trabalho e sanidade .
Em um desafiante contexto ,
Eu sou , o vigilante do texto " .


O fino da notícia particular

Fim do trabalho ,
Um cansaço entre nós .
O sistema é falho ,
Antes , durante e após .

O vento é quente ,
Poluição consequente ,
Muda clima , desafia a natureza ,
Lá em cima , alguém decide com certeza .

Os segredos do amanhã ,
Me acordam de manhã ,
Indicam que há futuro ,
Seguro ou inseguro .

As verdades de uma essência ,
Remetem consistências da inocência ,
Afirmo com veemencia ,
Que a pureza , é uma forte potência .

Depois de noites de insônia ,
Quilômetros sofrendo ,
Em sonhos daqui até Patagônia ,
Continuarei correndo .

É estou ficando coroa ,
Vivendo na terra da garoa ,
Onde o pobre é famoso ,
E o rico é glorioso . 

Sempre pensando no lar ,
A voz do coração , insiste em falar ,
Um senso crítico que não quer calar , 
O fino da noticia particular .

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Trama de um simples cidadão

A noite encosta no horizonte ,
Esta falta constante ,
Neste exato instante , 
Do amor distante .

O frio ,
O vazio ,
Tudo junto em um trago ,
Em busca de um afago .

Escurece a cidade ,
Aumenta a vaidade ,
Com suas máquinas metal cromadas ,
Os barulhos e os sons das máquinas inacabadas .

No mais alto monte ,
Uma voz leviana gritante ,
Despejando o que há em seu peito ,
A realidade de qualquer conceito .

O eco no vazio profundo ,
Em todo o canto do mundo ,
Em toda e qualquer imensidão , 
Nesta trama de um simples cidadão .  

Delírios de um dia útil

Assombrações do entardecer ,
Vem esta alma aquecer ,
Dizer sobre que há além da ilusão ,
Entre a melancolia e a loucura a fusão .

Pensamentos misturados ,
Sentimentos pendurados ,
Verdades de um peito apaixonado ,
Ideais de um pensamento transtornado .

O vento da tarde vem dizer um oi ,
Suprimir este amor , que já se foi ,
Preso no depois ,
Dúvidas de uma vida a dois .

Vi seu rosto em qualquer clipe ,
Com instrumentos e equipe ,
Meu coração balançou ,
Em busca de quem sou .

A tarde e sua face insana , 
Fugindo do inútil ,
Todo o dia de semana , 
Delírios de um dia útil .   

Entardecer de paixões nobres

A tarde esfria ,
O clima resfria ,
A verdade é um comprimido ,
A vida e seu sintético sentido .
Livros , cigarros , poesias e canções ,
Um qualquer verso para aquecer corações .
Vejo o vento falar por mim , 
Ele tem razão , e fim .
Mas quando os olhos ,
Insistem em olhar ,
Céus e suas nuvens chacoalhos ,
Minha alma de bençãos a molhar ,
A paixão fala mais alto ,
Anjos em tom de contralto ,
Sou amado ,
Estou apaixonado :

" Tudo é riso ,
Gargalhada ,
Sorriso ,
Que nada .
A felicidade está rodeando ,
Quem está amando .
O amor está em todo lugar ,
E em lugar nenhum ,
Amor ao plugar ,
Em tudo , em lugar algum .
Na brisa suave do anoitecer ,
No vento leve do amanhecer ,
Vem me desejar paixões ,
Além de visualizados corações .
Há o que não vejo ,
Porém , por si só desejo , 
Amores que irei alcançar ,
E ao longe e distante avançar ,
Sejam médios , ricos ou pobres , 
Entardecer de paixões nobres " .  
 
  

Te amo , meu único recado

Acordei de manhã ,
Seu batom no ar ,
Com a mente sã ,
Com a brisa a falar .
Palavras ao vento ,
Buscando acalento ,
Te vejo no reflexo de tudo ,
Envergonhado , de espírito desnudo .
Sei que nem tudo volta ,
Mas com este sentimento em revolta ,
Não há como negar ,
Devemos nos unir ,
Aceitar e sossegar ,
Com que há de vir .
Promessas foram feitas ,
Teorias foram aceitas ,
Mas , o tempo cobra caro ,
A separação da pérola e do Amaro :

" Corro contra o vento ,
Rápido , cansado ou lento ,
Seguindo a estrada da vida ,
Água a nove anos , é minha única bebida ,
Amar , meu único pecado ,
Te amo , meu único recado . . . "


" . . . Amor em bocado ,
A linha do amar rasgado ,
Exijo ser amado , 
O sentimento que estava engasgado ,
Junto , separado ou largado ,
Gravado na mente ,
Como um nobre ditado ,
Inconsciente e consciente ,
Escrito , revisado e editado ,
Como um útil pecado ,
Ao meu exótico legado ,
Te amo , meu único recado " .      

Tramas do destino temporário

Noites que duraram demais ,
Aprendendo a viver , como jamais .
Madrugadas que viraram anos ,
Entre cigarros , minas e manos ,
Nunca haverá momentos tão insanos ,
Só me resta lamentar , produzindo estranhos planos .

O seu cheiro está nas flores ,
Nos perfumes das princesas das florestas .
Nicotina para afastar dores ,
Comprimidos para acertar as arestas .
Tudo tem um limite ,
Este é o meu , palpite .

Quando o céu muda ,
Eu mudo também ,
Quando anoitece , nada ajuda ,
Ainda mais , quando perdeu - se de alguém .
No horizonte , as nuvens desenham seu rosto ,
E outras boas lembranças , para todos os gostos .

A poluição sonora ,
Onde o perigo mora ,
Me leva embora , 
Para o limite de quem namora ,
Ignorando o agora ,
Teorias cuspindo fora .

Vida , minha parceira ,
Pelo marco na eternidade inteira ,
Busco solução ,
Para este coração .
O futuro é fácil saber ,
Quando da água limpa , estas a beber ,
Mas no fundo sei meu dever ,
Para todo sempre escrever .
Tentar este amor teimoso reviver ,
Procurando meios de com ela novamente conviver .
Voltar a realidade , este é o horário , 
Tramas do destino temporário .
 
  

Minutos de escrita

Nem sempre consigo escrever da mesma forma ,
Mas algo no horizonte azul acalma e conforma .
Vejo na alma ,
Marcas de traição ,
Machucado e trauma ,
Que afetam o coração .
Tento orar pra Deus , e pedir perdão ,
Pelo menos até meus restos estarem na imensidão .
Amei uma garota, que nunca mais vou ver ,
A linha do tempo fragmentada , pelo poder .
Tudo está consumado ,
Verdadeiramente jamais amado .
Disputa ,
Guerra ,
Computa ,
E ferra .
Tentei ser amigo ,
Um bom marido ,
Mas sozinho , pouco consigo ,
Rogo e imploro aos céus um pedido ,
Que me perdoe , e ajude meus irmãos ,
Que limpe estas chagas de ódio em minhas mãos .
Amar perdeu a importância ,
E da vida a morte ,
É uma curta distância ,
Rogo a sorte .
A vida perdeu o sentido ,
A verdade tenho mantido ,
Evoluir , mudar , construir ,
Sentir , gargalhar , rir ,
Nada é maior que a dor ,
De ser enganado pelo pudor .
Fui a muitos lugares ,
Conheci terras e mares ,
Hoje só conheço a consequência ,
De uma realidade sem fé e sem consciência :

" A verdade maldita ,
A realidade imita ,
Passados dolorosos cita ,
Um anjo na mente grita ,
Dizendo sobre uma dimensão bonita , 
Em que apenas terei , em minutos de escrita " . 


quinta-feira, 20 de abril de 2017

Estranho clima

O vento que trás as nuvens ,
Eu espero , quando vens ?
Mas nem resposta ,
E nem voz ,
O tempo aposta ,
Não será tão veloz .

Vejo a brisa da noite tomando conta ,
Um qualquer evento me desaponta ,
Nem sempre tudo foi perfeito ,
E nem será ,
Livre e liberto de conceito ,
Vale onde está .

A ventania da noite ronda ,
O dia se esconde átras da onda ,
O tempo foge para qualquer realidade alternativa ,
A linha do tempo pra distante se esconde e motiva ,
Meu coração a funcionar ,
Este mecanismo feliz acionar .

O sopro do turbilhão ,
Ventos , mais de um bilhão ,
Mesmo quando faz pouco sentido ,
Meu compromisso tenho mantido ,
Alguém vela por mim lá em cima , 
Um trago , uma verso e o estranho clima .



Ás vezes o começo é o final

Em tardes antes feriados ,
Eventos estranhos e deliberados ,
Verdades de uma alma antes a justiça ,
Lutar para que se anulem as injustiças .
Em momentos antes o vespertino ,
Pensamento de menino ,
Defeitos de homem ,
Corpos se consomem .
Em instante como agora ,
Sumir , fugir , ir embora ,
Tentar encontrar um mundo fora ,
A amada perdida , longe , demora .
Em horários iguais ao atual ,
A noite anoitece e concede sinal ,
Sobre um qualquer evento factual , 
A vida diz : " Ás vezes o começo é o final " :

" Términos de ocasiões ,
Realidades , verdades e decisões .
Pensei em mudar ,
Em qualquer substância afundar ,
De espaço transmutar ,
Em qualquer teoria maliciosa aprofundar .
Ver qualquer imagem voluptuosa ,
Ficar anestesiado por qualquer relação amorosa .
Mas tudo acaba ,
O céu desaba ,
O mundo gira ,
A roda vira ,
E nem tudo pode ser aproveitado ,
Seja monitorado ou sondado .
De volta ao instante inicial ,
Uma hora de atividade oficial ,
Já nem é tanto valor o trabalho comercial ,
Ás vezes o começo é o final " . 
 



quarta-feira, 19 de abril de 2017

Noitada

Reinicia a noite e suas farras ,
Nos head - fones , duelam as guitarras ,
As bitucas tomam conta das calçadas ,
As cidades iluminadas ,
As pessoas e suas elegâncias avançadas , 
Com suas máquinas cromadas ,
Seus celulares , mochilas e joias ,
Causam reflexões , breves paranoias .
A poluição sonora predomina ,
Qualquer beleza de salto me domina .
Hoje , neste instante , o que vale é curtir ,
E desejar que uns trocados e um fumo irão suprir .
Música , muvuca , bagunça , entretenimento ,
O que vale , é o sentimento do momento .
Variações de sexo ,
O mundo humano complexo ,
Das vespertinas massantes ,
O ópio imaginário ,
Suas crônicas e seus constantes ,
Tudo neste obscuro horário .
Toda a nação nesta megalópole ,
Em seus espaços escuros , enquanto metrópole . 
Trazem consigo histórias ,
Lembranças e memórias ,
Como o enredo de um filme ou roteiro ,
Que torna tudo unido , junto e inteiro .
Contos de corações partidos ,
Famílias e movimentos repartidos ,
Que fazem de tudo isto uma canção ,
Fazem de tudo isto uma nobre oração .
As ruas estão lotadas ,
As curtições estão inacabadas ,
Naquele garota dou uma notada , 
As facetas da noitada .

terça-feira, 18 de abril de 2017

O povo do ordem e progresso

Sombras pairam na cabeça ,
É algo que realmente eu conheça ,
Velhas impressões ,
De uma alma depressiva ,
Governos em repressões ,
Retalham que a poesia viva .
Cultura ameaçada ,
Doença avançada .
Como o câncer de um paciente ,
Que vive machucado e doente .
Política , religião e futebol ,
Não se discute , 
Mas é algo que afeta e repercute .
Vejo os ensaios do fim desta civilização ,
Clamando por mais arte , cultura e renovação .
Cada qual sabe seu dever ,
O meu , é informar e escrever .
Todos podemos juntos evoluir ,
Pois uma nova era , há de vir .
Acredito no que diz a constituição ,
E a verdade irá vencer ,
Tenho uma ligeira intuição ,
Que a população há de se convencer .
Guerras , armas biológicas , miséria e fome ,
Os engravatados acabam com o povo , e se consome . 
A fé , o amor , o valor , a justiça ,
Devem ser armas contra esta injustiça:

" Que o mundo seja o reverso ,
Que lute não só por um verso ,
Mas para haver evolução no processo ,
A humanidade merece sucesso ,
Neste show de vergonha ao congresso ,
Jamais deve - se recuar ,  o objetivo está expresso ,
No jornal do amanhã estará impresso ,
' Venceu o povo do ordem e progresso ' " .  
 


Relacionamentos , poesias e maços

Ela sorria ,
Gracejava ,
Ria ,
E desejava .
Almejava ,
Os céus ao meu lado ,
Com cor rajava ,
Meu céu antes embolorado .
Amávamos o momento ,
Tudo era contentamento .
Meus cabelos cacheados ,
Aos seus dourados ,
Nossos beijos recheados ,
Palpitantes , nossos peitos colorados .
Qualquer instante ,
Era mais que importante .
Aproveitávamos melhor a vida ,
A felicidade em abundância era servida .
Lembranças que iluminam a alma ,
Recordações de paz e calma .
Sei que fomos além ,
Do que qualquer alguém :

" Acordei com o despertador ,
Cansaço , preguiça , fadiga e dor .
Tento entender ,
Pelo menos , compreender ,
O que acontece ,
Quando o dia amanhece ,
Eu , criatura selvagem ,
Que se perdeu de sua linhagem ,
Que sente beijos imaginários ,
Em aleatórios minutos e horários ,
Mas que só lembra ,
E relembra .
O que sobrou deste romance ,
Hoje , fora do alcance ,  
Restam apenas estilhaços ,
Relacionamentos , poesias e maços " . 

 

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Bilhetes de senso comum

Os ventos vem do norte ,
Ventania sublime e forte .
Os ventos sul ,
Acinzentam o céu azul .
Os ventos do oeste ,
Trazem o frio da peste .
Os ventos leste ,
Fazem o temporal mestre .
Mas o que vem dela ,
O anjo mais puro vela ,
Recados delicados ,
Sinais desmistificados ,
Como símbolos secretos ,
Nesta garoa ,
Nas selvas de concretos ,
Rimando a toa . 
Tudo que é bonito ,
E brota do amor ,
Floresta do querer bendito ,
Que evoca valor .
Mensagens do fundo da alma ,
Valsam com os pingos que caem com calma .
A dança da chuva branda e suave ,
Molha os galhos e as plantas da mais bonita ave .
Tudo faz sentido ,
Neste sentimento mantido ,
Quero dizer mais sobre estes recados ,
Rascunhos de punhos nobres e delicados :

" Mais que um telefonema ,
Sem título , enredo ou tema ,
Apenas o seu suave perfume ,
Caneta cor betume ,
Letra precisa e delicada ,
Mensagens da noite calada .
Amante , sou mais um ,
Vindo de lugar nenhum ,
Romântico do século vinte e um ,
Bilhetes de senso comum " .

Eternos instantes de reflexão

A garoa desce ,
Sobre a cidade viva ,
Anoitece ,
A brisa me motiva .
O frio , o surto do clima ,
O vazio , vem lá de cima .
O coração do mundo chora ,
A emoção , é aqui e agora .
A verdade da estação ,
É outono em alma e coração .
Mas este é diferente ,
Sem ela , tudo descontente .
Fotos , já deixaram de sanar saudade ,
Imagens , envelhecem com a idade ,
Mas meu amor por ela é infinito ,
Neste século vinte e um ,
Tudo pode ser bonito ,
Mas o que procuro , ausenta em lugar algum .
Pequenas doses de alcatrão ,
Para aquecer pé e mão .
Queria vencer na vida ,
Ser alguém de sucesso ,
Mas algo mudou no processo ,
Encontrei nela progresso ,
Infelizes para sempre , só regresso .
Queria inverter o relógio do universo ,
E escrever o maior de quaisquer verso :

" Nas entranhas desta alma ,
O outono me trás calma .
No interior desta garoa ,
O canto de um anjo ecoa .
No vento de uma tarde morrendo ,
Este amor luta , e vem crescendo .
Nas árvores umidecidas ,
Em suas estruturas envelhecidas ,
Nasce o sentimento mais forte ,
A vida sobrevive , com um pouco de sorte .
Eu , ela e o universo em conexão , 
Eternos instantes de reflexão " .

Só mais um na multidão

Entre a poluição sonora ,
E a verdade notória ,
Restam eu e meus textos ,
Para viver , procurando pretextos ,
Meios de sobreviver ,
Nesta selva de concreto ,
Com mais qualidade viver ,
Sem parecer um idiota completo .
Mas o mundo fora ,
As vezes parece maior ,
Procuro agora ,
Um meio de me sentir melhor .
Já fiz de tudo para ser notado ,
Mal eu sabia ,
Como cumpria papel de coitado ,
Negando a sabedoria .
Como uma grão de areia ,
Uma gota dos oceanos ,
Em uma realidade feia ,
Esperando passar os anos .
Sou pequeno ,
E pecador ,
Ao vazio aceno ,
Como um amador .
Uma nuvem paira sobre minha cabeça ,
Uma sombra ameaçando chuva ,
Espero qualquer argumento que me convença ,
Que sou vida e não vinho de uva .
Mas o mundo nunca me dará motivo ,
Para que eu permaneça vivo .
Estará sempre um passo a frente ,
Valorizando aquele comercial de família contente .
O rico que ajuda o pobre ,
Um carro da moda feito de cobre .
Jamais viverei com boa condição , 
O mundo quer ostentação em imensidão ,
Desisto e pratico a rendição ,
Sou só mais um na multidão .  

Força do hábito

Habilidade de escrever ,
Habilidade de longe ver ,
Habilidade de saber ,
Habilidade de poder .

Dom da fala ,
Dom que exala ,
Dom da humildade ,
Dom da saudade .

Sapiência de escolha ,
Sapiência que o acolha ,
Sapiência de viver ,
Sapiência de conviver .

Capacidade de aceitar ,
Capacidade de compreender ,
Capacidade de receitar , 
Capacidade de entender .

Aptidão para serviços manuais ,
Aptidão para serviços gerais ,
Aptidão para perdoar ,
Aptidão para doar .

Qualidade do dever ,
Qualidade de recompor ,
Qualidade de reaver ,
Qualidade de compor .

Engenho para servir ,
Engenho para ir e vir ,
Engenho para ser amigo ,
Engenho do novo ao antigo .


Navegando no mar náutico ,
Ou estudando o mundo ártico ,
Desbravando o universo Báltico ,
Nada muda ou altera a força do hábito .



quinta-feira, 13 de abril de 2017

Cão sem dono

Lembrei do cheiro das rosas ,
Que cheirava no verão daqueles dias .
Hoje só restam prosas ,
De outonos em noites vazias .
Pensei muito em você ultimamente ,
Insano , inconsequente e inconsciente .
As verdades mudaram ,
Minhas calças não servem mais , 
Tempos passaram ,
E a sociedade é composta de animais .
Viajei para locais afastados ,
Com os nervos levantados ,
Em busca de saber quem sou ,
Voltei descansado , mas nosso amor não voltou .
Pequenas doses de tabaco ,
O tabagismo me assombra ,
Fim da semana , estou um caco ,
Trabalhando para buscar uma sombra .
Recordações de uma alma insistente ,
Em acreditar que a vida pode ser mais contente .
Na verdade só queria você ,
Como se diz , como se lê ,
Infelizmente fui te amar ,
Agora no abandono ,
Seu nome em pesadelos a chamar ,
Como cão sem dono . 


quarta-feira, 12 de abril de 2017

O aniversário da vovó Maria

Os ventos sopram há 72 anos ,
Lavar louça , lavar garagem ,
Lavar quintal , lavar panos ,
Dona de casa de coragem .
Fonte de inspiração ,
Para este coração ,
Que jorra de alegria ,
Pela querida vovó Maria .
Pessoa excepcional ,
Mulher sensacional ,
Uma reza em pessoa ,
Nunca nos deixará à toa .
Mãe , mentora ,
Mulher , criadora ,
Parceira ,
Companheira ,
Querida e amada ,
Para as artes delicadas voltada .
Fez de mim um homem ,
Onde dúvidas não me consomem ,
Tornou-me confiante ,
Suficiente e bastante ,
Para seguir em frente ,
Em vida e repente .
O mundo está em festa ,
Dos céus uma orquestra ,
Musical ,
E coral ,
Um anjo com sabedoria ,
O aniversário da vovó Maria .

terça-feira, 11 de abril de 2017

Lapada poética

No terceiro sábado do mês,
A tarde , após as três ,
No Ferradura Bar ,
A poesia está longe de acabar .
Música , rima , vida inteligente ,
Neste sarau a luz do luar ,
A lua é regente ,
Diz que devemos continuar .
O papéis amassados no bolso da calça ,
As frases na consciência e na alça ,
Tanto fora do lar ,
Quanto no madrugar ,
Os versos no velho e bom celular ,
As idéias em estrofes acharam seu lugar.
Encontro refúgio ,
Um palco para os meus caprichos ,
Inexiste repúdio ,
São libertados os bichos .
Um coração pulsando na geral ,
Viajo para o espaço sideral ,
Lembrando de um passado ,
Arcaico , ultrapassado .
Sinto - me acolhido ,
Para rimar fui escolhido ,
Deparei - me com a ética,
A vida já não é mais tão patética ,
Aprendendo a viver com a pluralidade estética ,
Gratidão ao sarau Lapada poética .