Ela caminha,
Sob o fim da tarde ,
Na calçada sozinha ,
Sob o solo que arde .
Olhar debaixo acima ,
O olhar que inclina ,
Aberta , o olhar afirma ,
Uma linda menina .
Em seu traje rosa ,
Bermuda gasta ,
Chinelo simples , como prosa ,
Um gingado que devasta .
Com uma sacola ,
Um fone de ouvido ,
Como uma colega de escola ,
A beijar convido ,
Só em pensamento ,
É claro ,
A vontade corroeu o momento ,
A clara e o amaro .
Ao som de carros e trânsito ,
Escrevo este silencioso cântico ,
Em um tempo alternativo e semântico ,
Fui da derrota ao romântico ,
Esperando que o tempo voltasse ,
Mas outra coisa voltou ,
A vontade que a amasse ,
O coração se revoltou :
" A vitória de estar só ,
De perder a responsabilidade ao amor ,
No inicio em pó ,
Ao longe sinto um breve calor .
Talvez nunca mais a veja ,
Como a oito anos ,
Que não bebo uma cerveja ,
Desejos abstinentes e insanos .
A verdade dói na alma ,
E nenhuma substância me acalma ,
Apenas torna meu buscar mais profano ,
Estando em busca de calor humano " .
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