terça-feira, 6 de dezembro de 2016

A valsa muda e triste

No silêncio do fim da tarde ,
Um sentimento me invade ,
O ar urbano me encarde ,
Neste vestígio de tempestade .
As nuvens dançam seus últimos minutos ,
Meus problemas vagueiam nos espaços condutos .
Minhas saudades ,
São menores que minhas ilusões .
Dispenso vaidades ,
Prefiro cultas difusões .
O som do mundo forma esta calada canção ,
Que vem do resto do meu coração .
A lua pede licença ,
Neste horário de verão ,
Permanece a crença ,
De que próximos mártires haverão .
Penso no quanto sofri no passado ,
Por sempre estar atrasado e ultrapassado .
Fui longe por um amor a mais ,
Mas esqueci , cego , dos sinais .
Perdi tudo por desejar ,
No mundo inferior ,
Devem estar a festejar ,
Pelo meu dissabor .
Vejo que meu tempo está acabando ,
E por dentro , meu mundo está desabando .
Entre sonetos e versos ,
Embebido nestes caldos tristonhos ,
Estão meus sonhos imersos ,
Em marcas de passados medonhos .
Nesta orquestra do fim do mundo ,
Notas e partituras do amargo profundo ,
A falta persiste ,
A realidade inexiste ,
Escravo do que insiste ,
A valsa muda e triste . 



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