quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Perde - se o pouco , por ganância ao muito

Desperdiçamos o pouco que temos ,
Por tentar conquistar o muito que jamais teremos .
Buscando a solidão em algum momento da vida ,
Pois as noites em suas insanidades ,  inocentes a dançar convida .
Momentos existem pra curtir ,
Mas hoje o que importa é repercurtir .
Saudade só existe na língua portuguesa ,
Porém divida sempre existirá com a nação inglesa .
Ser criança ,
É ter boa lembrança .
Ser bêbado é inventar ,
E com a embreaguês contentar .
Ser velho é amanhecer ,
E os problemas esquecer .
Viver é notar os detalhes no tudo ,
E a partir disto supor um sonho profundo .
Chorar ,
É desmoronar ,
Substituir , é mudar por opção ,
Constituir , é machucar o coração .
Por que disse isto ?
Por nunca ter o bem quisto :

" Vazio ,
Frio ,
Solidão ,
Na multidão .
Verdade ,
Puberdade .
Fraqueza ,
Franqueza .
Delirante a cada instante , momento e minuto ,
Perde - se o pouco , por ganância ao muito " .


Rogando paz ao vento

A garoa do fim do ano ,
Castiga o ser humano .
Lenços , frio , umidade ,
Daquele calorzinho ,
Dá uma saudade ,
Neste verso sozinho .
Trancado neste corpo .
A falta bate o topo .
A rima acalenta ,
Uma sofrência lenta .
Posso provar minha inocência .
Se o destino deixar ,
Livrar minha consciência ,
Argumento achar :

" Pequenos sinais de arrependimento ,
Viver sem permissão ou qualquer consentimento ,
Viajando parado ,
Delírios no emaranhado .
O mundo que vejo ,
Não é o que penso ,
Permanece o desejo ,
De um tempo de vida mais extenso .
O mundo virou de costa ,
A saudade encosta ,
Faz - me refém ,
Deste certo alguém ,
Que me leva ao rebento ,
Que me esnoba cem por cento .
Que dispensa meu contento .
Desta balbúrdia em aumento ,
Pedindo aos céus acalento ,
Rogando paz ao vento " .

Dossiê do amor sem fim

Dias frios chegaram ,
As alegrias acabaram .
Cantou sua última nota .
O rouxinol .
A tempestade permanência denota .
Sumiu o sol .
O mundo é perigoso ,
Qualquer olhar é fogoso .
Queima o espirito e a alma .
Falências astrais .
Me afastam da calma .
Já vivi demais .
Apaixonado como de costume ,
O corpo suado , melado e azedume ,
Pede a amada uma última vez ,
Uma bebida ou um filme talvez .
Um cinema com pipoca e tudo ,
Mas não mereço nada .
Apenas sonho e me iludo .
Desejando a paixão danada .
Vejo casais por onde passo ,
A marca de milhares ultrapasso .
Juntos , amando e esbanjando afeto ,
Está certo ,  é o correto :

" Pode ficar com seu lugar , maldade .
Esquecido pela sociedade ,
Afastado da humanidade ,
Só me resta a solitária saudade .
O mundo não nos quer juntos ,
Prefere seus estranhos assuntos .
Amo quem está distante ,
Cantando em seu traje galante .
Todos batendo palmas e gritando ,
Um show de luzes . . .
E eu nessas cruzes ,
Carregando grande fardo ,
Descriminado por ser pardo .
Mas aqui é assim ,
Problemas a você ,
Problemas a mim ,
É como um dossiê ,
De como estou afim ,
Dossiê do amor sem fim " .

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

O perdedor está caótico

Perdi material ,
A paz arterial ,
Perdi dinheiro ,
Todo o ar maneiro ,
Perdi a solidão ,
Perdi a imensidão ,
Perdi a personalidade ,
Perdi a qualidade ,
Perdi ser perdedor ,
Perdi o pesar e a dor :

" Em meio ao mundo hostil ,
Uma criança em estado infantil ,
Que busca algo pra entorpecer ,
Um adolescente ao anoitecer ,
A madrugada velha e embebida ,
Em um caldo de depressão no âmago ,
Faz a cabeça de sentimentalidade consumida ,
Esconder o segredo amargo ,
Que faz o mundo rodar e movimentar ,
Um misto de pobreza com mal - estar .
Nada posso exigir do mundo ,
Afinal não é dele meu sonho profundo ,
Eu sou o real culpado ,
Indigno e desalmado ,
Esperando um conselho com mais ótico ,
Neste mundo noturno , escuro e gótico ,
O real jamais será lógico ,
O perdedor está caótico " .  

Canja

A paz sumiu ,
O sangue subiu ,
A vida é perder e ganhar ,
Em decepção estou na me banhar .
Tudo é questão de ponto de vista ,
Ter únicas escolhas no fim da vida ,
Ou viver nesta loucura mista ,
A refletir a vida me convida .
Perdi a noção de segurança ,
No interior está machucada a criança ,
Me fazendo desistir de continuar ,
Apenas durmo , pra me afastar do luar .
Acontecem coisas estranhas ,
No período noturno ,
Revira minhas entranhas ,
Torna - me soturno .
Penso em como viver em sociedade ,
Se há problemas em quantidade .
Vejo o sol nascer e pôr ,
Um mundo de cor .
Azul , vermelho , laranja ,
Uma rima , uma canja :

"Fui ao inferno ,
E voltei ,
Não há mais ventre materno ,
Eu sei .
Provei de um brinde no mundo inferior ,
Percebi que só deus é o poder superior .
Pensei em voltar ,
Pra dizer um oi ,
Vivo a me revoltar ,
Por alguém que se foi .
Minha amada ,
Vive calada ,
Em meus pensamentos ,
Em meus sentimentos ,
Em minha relação com o mundo ,
Me perco neste infernal profundo .
Mas hei de rimar ,
Hei de amar ,
Quero o amor que esbanja ,
Fica a mensagem , uma canja " .


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Anoitecer dos amantes

Parece o fim ,
De você a mim ,
Um recomeço ,
De uma nova era ,
Reconheço ,
Quem ama , espera .
Oito novembros separados .
Com qualquer coisa comparados .
Mas isto prova que há liberdade ,
Por qualquer que seja o rótulo da sociedade .
Sou livre pra escolher ,
O que plantar e colher .
Já fui buscar ajuda de tudo ,
Me liguei a este sonho profundo ,
Por saber do futuro , sou sortudo ,
O amanhecer será mais profundo .
Ás vezes bom ,
Ás vezes ruim ,
Me alivia seu som ,
Te trás até mim .
Vejo o mundo gastar - se ao máximo ,
E eu apenas te querendo próximo .
Sei que nunca fui o melhor par ,
Mas todo este tempo de sujeira , irei limpar .
Longe de te querer apenas por prazer ,
Quero te abraçar , beijar , e tudo mais que puder fazer .
O medo já se tornou responsabilidade ,
E já te amo com muita intensidade .
Aprendi a amar em qualidade ,
Quem me ama , de verdade :

" A claridão ,
A escuridão ,
É belo amar o oposto ,
Servindo amor no composto , 
Sonho com a noite e o dia ,
Namorados , pares em conjunto ,
Te buscar é meu principal assunto .
Um dia haverá o amanhecer ,
Um solstício eterno ,
Nos fará envelhecer ,
No sentimento eterno .
Por enquanto distantes ,
Com os peitos palpitantes ,
Aguardamos na noite , dias instantes ,
Momentos noturnos constantes ,
Saudades e faltas gritantes ,
Permanecendo no anoitecer dos amantes " .


  

Esperando o amanhecer dos iguais

A desatualização altera ,
Todo o meu fluxo de pensamento ,
Permaneço a espera ,
De um inovador e curador momento .

Vejo o clima me corroer ,
É uma verdade que doa a quem doer ,
Faz a ferida do passado abrir ,
Para amenizar , me coloco a rir .

Caridade é algo relativo ,
O problema não é doar ,
É qual será o real objetivo ?
Pense bem antes de doar ;

O que será feita com a doação ?
Será divisão aos mais necessitados ?
Alguém que abusa de pessoas de bom coração ?
Ou todos um dia já foram coitados ?

Ajudar faz bem ,
Ser explorado faz mal ,
Particularmente sou ninguém ,
Que trata isto de formato informal .

Tenho minhas revoltas ,
Mas costumo esconder
Em épocas remotas , 
Me colocaria a responder .

Mas já é tarde demais ,
E ajudar ou não ajudar é indiferente .
O mundo sempre vai querer mais ,
De gente pobre e inocente .

Digo isto por quê ,
O mundo é exigente ,
Comigo e com você ,
É pouco ser consciente .

Não abandono ,
Quem não tem serventia ,
Esperando o sono ,
Que trará paz em quantia ,
A nostalgia de que todos terão mais ,
Esperando o amanhecer dos iguais . 

 



terça-feira, 22 de novembro de 2016

Chuva do fim de tarde

O dia inteiro quente ,
Chamando chuvarada ,
Escrevo um repente ,
Para afastar a gota gelada .
Frio ,
Vazio ,
Talvez as vezes tenha de garoar ,
Para inspirar , rimas entoar .
Escrevo o pouco que sei ,
Por pouco na escola não passei ,
Mas já dá pra ter uma instrução ,
Sobre a camada de nuvens ,  
As gotas em obstrução ,
Perto das noites jovens .
Quis muito escolher ,
O que plantei ,
Estou a colher ,
Com anjos cantei ,
A canção dos quase virgens ,
E ao mal iminente tenho vertigens .
Mas está tudo bem ,
Ainda existe alguém ,
Sempre há mais uma escolha ,
Basta caneta , ideia e folha .
Entre versos e temporais ,
Viajo em inspirações verbais ,
Conversas pra desabafar ,
Afinal , rimas tornam - se enciclopédias ,
Gotas em mar ,
Escrevo bastante , dá pra fazer umas médias .
Enquanto passar o gotejo ,
Escrevo pra reforçar o desejo .
Da garota do pensamento ,
Onde passamos por longa tempestade ,
Mas permanece o sentimento ,
Na chuva no fim da tarde . 


Mudança repentina

Mudança radical ,
Por algo local ,
Uma referência constante ,
A transformação gritante .

Metamorfose ambulante ,
Troca de par , por amor galante ,
Por um diferencial ,
Referência sensacional .

Para esconder ,
incorresponder ,
Viver transmutado ,
Mudança por estar mudado .

A toda hora ,
A todos os instantes ,
Mudança de agora ,
Mudança de antes .

Aprimorando o passado ,
Repetindo o ultrapassado ,
Uma nova consciência ,
Sobre moda de conveniência .

Reflito sobre a transmutação ,
Através da contínua ação ,
Sem qualquer outra opção ,
Na vida que muda sem direção .

Da noturna a matina ,
Para impressionar a menina ,
Uma roupa e uma produção fina ,
Simplesmente a mudança repentina . 

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Divagações de um transeunte romântico

Hoje o dia nasceu pesado ,
O sol ardia , parecia estar enfezado .
Levei muita dor aonde fui ,
Mas agora está melhor ,
O relógio mais calmo flui ,
E o enredo sei de cor :

" O mormaço de novembro ,
O último deste , nem me lembro .
Calor , abafado , fervência ,
Chega a confundir a consciência ,
Caídos entre pixels e teclados ,
Meus anjos estão dormindo e calados .
Sofri quando perdi tudo ,  
Assimilo , que fiz o máximo por mim .
Já não há espada e escudo .
Quando a guerra é sem fim ,
Tudo pode machucar ,
Ao brilho do dia , houve ofuscar .
Inventei que existe resultado diferente ,
Quando faço a mesma atividade ,
Tenho fé , estou contente ,
Irá melhorar minha vivacidade .
Entre rimas e versos ,
Existe uma magia ,
Que torna os males dispersos ,
E aos poucos a todos contagia .
Já fui a muito lugar buscando ajuda ,
Mas se eu não mudar , o mundo não muda .
As vezes faço o que não quero ,
E muita recompensa disto espero .
O poder superior ,
É generoso comigo ,
Mora no interior ,
É meu melhor amigo .
A este ser , dedico meu melhor cântico , 
Divagações de um transeunte romântico " . 



Escritores da cidade

No terceiro sábado do mês,
Reúnem - se um pouco mais de três,
Poetas , escritores,
Redatores e trovadores.
Todos a discutir o rumo da literatura.
Cada um portando seu livro escritura.
Cada qual publicando sua opinião,
Resolvendo as questões durante a reunião.
Um conjunto valioso,
Para cada qual,
Uniões de um texto engenhoso,
Que engrandece a moral,
Na gibiteca acontece encontros,
Para resolver assuntos importantes e outros.
A escrita como espada e escudo,
Protege e auxilia em tudo,
Produtores da literatura atual,
Úteis a cultura usual,
Narrativas inteligentes,
Formam - se públicos contentes.
A arte literária nunca vista,
Arte e cultura,
Vá em frente , invista,
Leve seu intelecto a altura,
Um bem a humanidade,
Projeto escritores da cidade:

" A continua ação,
Da vida literária,
É alma e coração,
Mesmo com a maré contrária.
Texto , redação,
Prosa e poesia.
É a gravação,
Da arte em demasia.
Transcrevendo o cotidiano, 
A realidade de fundo pano,
Um jeito de retratar,
Documentar e tratar,
Dizer o que há de bom e ruim,
Em uma escrita,
Que pouco tem fim.
A criação textual bendita,
Rimas , frases e versos,
Escritos nobres e inversos.
Sei que posso escrever,
Minha trajetória em uma obra rever.
Lembrar de histórias,
Guardar nas memórias,
Puras recordações,
Benéficas ações,
Sobre tudo , até o momento,
Peço e rogo ao vento,
Que proteja os literatos,
Que apesar dos fatos,
Fazem parte da sociedade,
Projeto escritores da cidade". 



sábado, 19 de novembro de 2016

Caps

Um lugar , onde sou igual ,
Ao chegar , acolhido no local .
Amigo , pessoa próxima , irmão ,
São importantes , em grande dimensão .
Exemplos de bem ,
Para este ninguém ,
Que me aceitam ,
Do jeito que sou ,
Complementam ,
O amor não acabou .
Antigos tempos a sofrer ,
Fui enfim acolhido ,
Hoje me proponho a discorrer ,
Consciente que o mal foi banido ,
Atualmente bom em todos os sentidos ,
Os problemas , erros e desacertos contidos ,
É um lugar sensacional ,
Caps - centro de atenção psicosocial .

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Buscando um sentido pra viver

Vontades ,
Vaidades ,
Preciso me curar ,
Ajuda procurar ,
Religião , Deus , remédios ,
Desejos , pecados , assédios .
Um ser dividido ,
Com o peito ardido ,
Que me leva a raciocinar ,
Sobre o que devo opinar .
E também optar ,
Quero me encontrar .
Perdi algo quando nasci ,
Mas não sei o quê .
Várias vezes renasci ,
Mas quero sentido pra mim e pra você .
Vejo o tempo passar ,
As novidades me ultrapassar .
Leio , escuto , vejo ,
Procuro um sentido ,
Pra tanto desejo ,
Que permanece contido .
Já vi muita coisa errada ,
Pra ser certo ,
Minha sensação está emperrada ,
Procurando conserto .
A realidade é variada ,
E nenhuma quer ser contrariada .
Termino sem saber de nada ,
Sem classificação ou camada ,
Buscando um lugar na estatística ,
Além de viver de poesia artística .
Um dia meu amor quero rever ,
Buscando um sentido para viver .



Acesso alternativo

Conhecendo novos espaços ,
Conhecendo lugares novos ,
Em meio a garoas e mormaços ,
Vejo diferentes povos .

No clima frio ,
Faço desvio ,
E vou a outro canto ,
Relatar meu interno pranto .

A realidade deixou de ser palpável ,
E o vento permanece favorável .
O sentimento é um comercial feliz ,
E história , é ser inserido na raiz .

Pensar é ser forçado a ter uma boa ideia ,
Redenção , é estar em uma cadeia ,
Viver é ter experiência na era véia ,
E nada disto , é o que minha alma anseia .

Aprendendo novas culturas ,
Me recolho as escrituras :

" Com meu pensamento ativo ,
Funcionando o coordenar cognitivo ,
Sou esforçado e instintivo ,
Procurando um acesso alternativo " .



quinta-feira, 17 de novembro de 2016

A realidade dos pixels brilhantes

O mundo lá fora ,
No tempo de agora ,
Nos montes distantes ,
Barulhos constantes .

Vejo fome ,
Vejo miséria ,
Verdade que consome ,
A mente mais séria .

Observo o entardecer ,
Na imaginação ,
Espero conhecer ,
Quem balance meu coração .

Um dia de recordações ,
De momentos nem sempre bons ,
Permanecem as interrogações ,
Sobre o que são esses sons .

Viciado na tela brilhante ,
Parado e ao mesmo tempo trilhante ,
Desafiando o mundo por trás da mesa ,
A verdade nunca foi e nunca será coesa :

" Cigarros gritantes . 
Saudades constantes . 
Faltas distantes . 
Alguns amantes ,
A cidade e seus gigantes .
Esqueci do antes ,
Longe ou perto de farsantes ?
A realidade dos pixels brilhantes " . 
 

Tardes frias e quentes de novembro

Escrevendo mais uma tarde ,
Neste mês de mormaço ,
Calor e tempestade ,
Na cidade de garoa e aço .
Digo sobre o que me assombra ,
Tragando um tabaco a sombra .
Penso o porque me apaixono tanto ?
Por que esconder em rimas o pranto ?
Mas no fundo só quero arte ,
Um pouco de poesia ,
Escrever é primordial , um caso a parte ,
Um instrumento que uso com demasia .
Sei que já estamos muito distantes ,
Daqueles bárbaros da caverna de antes .
Mas o fogo continua dominando o mundo ,
E todo trabalhador , do lazer tem sonho profundo .
Quero que a verdade apareça ,
E que suma este silêncio da cabeça .
Vivendo histórias de amor e ódio ,
Só me abstenho hoje em dia ,
Por um dia ter estado no topo do pódio ,
Acalma - se minha bateção cardia .
Errado , acento desnecessário ,
Concordância zero ,
Ainda aprendo , tudo têm seu horário ,
A minha , simplesmente espero .
Vou aonde quero ,
Minha personalidade pondero .
Calor e frio no mesmo instante ,
Não vivi ainda o bastante ,
O paraíso é para poucos ,
O inferno é para loucos ,
A terra é pra quem está aprendendo ,
O ser humano é , o que está fazendo .
Épocas semelhantes me lembro ,
Tardes frias e quentes de novembro . 




    

Fila de espera

Aguarde um pouco ,
Chegará a sua vez ,
Para não ficar louco ,
Conte os minutos talvez .
Emprego , banco , restaurante ,
O aguardo é constante .
Espere a hora certa ,
Fique atento ,
A tela é esperta ,
Visualize cem por cento .
Guarde com sabedoria a senha ,
Quando chamar , venha ,
É um exercício de paciência ,
Construir a consciência .
Primeiro os idosos ,
As grávidas e os deficientes ,
Os menos poderosos ,
E também menos eficientes .
Sente , espere , um segundo ,
Há sempre alguém a esperar no mundo .
Tenha esperança ,
No ponteiro que balança ,
No relógio que dança ,
No tempo e sua andança . 
Na sequência de momentos ,
No balanço dos ventos ,
Existe um instante crucial ,
Um tanto real e oficial ,
Que destina a cada um ,
O que lhe é devido ,
Em lugar algum ,
O seu será servido .
Tenha capacidade de tolerar contrariedades ,
O sistema cair , a senha passar , o caos nas cidades .
Tudo pode acontecer ,
Entre o amanhecer e o anoitecer .
Saiba que existe ,
Entre o homem e a fera ,
A fé que persiste ,
Na fila de espera . 
 

 

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Versos proibidos de um apaixonado

Quando te vi ,
Minha alma acendeu ,
Anjos eu ouvi ,
E meu cosmos transcendeu :

" Tenho a impressão ,
Que gosto de quem está longe ,
Como uma meditativa expressão ,
Buscando a paz , como um monge .
Teorias ,
Reflexos de uma experiência inerte ,
Experiências ,
Ocorrências de teorias em flerte .
Queria deixar as coisas como estão ,
Mas a realidade é outra ,
O peito em combustão ,
Quer amor que demonstra .
O destino exige mais ,
Os ventos e seus sinais ,
A vida é suas vozes a cabeça ,
Não há algo igual ,
Não que eu conheça ,
De barulho e grunhidos , o coral ... "

" ... Meu coração explode ,
Em meu ouvido eclode ,
O som da harmonia sideral ,
O sentimento não é tão material ,
Um amor extinto , exótico e informal ,
Bomba de efeito moral ..."

Só não queria o passado ter confrontado ,
Versos proibidos de um apaixonado .

Mexeu com o imaginário masculino

Ela anda ,
Ela balança ,
Desanda ,
E dança .
Vem e vai ,
Levanta e cai .
Segue seu rumo ,
Levanto e fumo ,
Observa em sumo ,
Viajo em resumo .
Olha , ouve , e pensa ,
Vale esta lista extensa .
O sol ilumina ,
A sua estrutura ,
É feminina ,
Me leva a altura .
Passa ,
Nem me vê ,
Repassa ,
Por mim e por você .
Mas estamos camuflados ,
Com os egos inflados ,
Mas um dia ela verá ,
Que havia mais alguém lá ,
Além de sua vaidade ,
Nesta estranha cidade ,
Um pouco de mim ,
Pra ela ,
Neste escrito e fim ,
Para moça bela .
Escrito de menino ,
Que já ouviu o sino ,
Neste verso fino ,
Mexeu com o imaginário masculino .


domingo, 13 de novembro de 2016

Temporal dos sentimentos impossíveis

O céu está pura umidade ,
A chuva inunda a cidade ,
O frio percorre o fio dos segundos ,
Provocando tempestades jamais vistas em quaisquer mundos .
Apaixonado  nesta garoa ,
Construo versos a toa ,
Em busca do repente perfeito ,
Vivo a mudar meu conceito .
A medida que meu coração bate ,
As gotas caem de cima ,
A terra seca , há o resgate ,
Inspirando a mais uma rima .
Minha amada ,
Está próxima a nuvem mais distante ,
No fio da hora calada ,
Encontra - se o sofrimento constante ,
A saudade me faz companhia ,
Me curvo ao passado de tirania ,
Escravo do amor ,
Sem opção ,
Fugiu o calor ,
Do coração :

" A chuva ensina a esperar ,
O amor,  como a vida operar ,
Distante , longe , anos - luz ,
Está a felicidade que sustenta e conduz ,
Que forma meu ser ,
Faz - me evoluir e viver ,
Está muito adiante , em outros níveis ,
Temporal dos sentimentos impossíveis " .

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Orações do inconsciente

As nuvens choram ,
Lá de onde os anjos moram ,
Santuário de santos ,
Alvo de canções e cantos ,
Lugar onde a saudade ,
Perde total validade ,
Morada do senhor dos céus ,
Conjuntos de firmamentos ilhéus .
Um lugar salvo de tudo ,
Maior e mais importante que o mundo ,
Torna meu perturbar mudo ,
Onde permanece o bem fecundo e profundo .
A água cai do alto ,
Formando notas de contralto ,
É como no destino dar um salto ,
É dos querubins morada , ressalto .
Preferência de quem faz o bem ,
Pra si mesmo , e pra outro alguém .
Lugar de corações puros ,
Morada de bondosos futuros .
Um canto permanente ,
De nosso senhor contente . 
Devoto que sou ,
Do filho do criador ,
Que tanto amou ,
Além de prova e dor .
Acredito no poder da fé ,
É a vida como é ,
E nada suprimi tal efeito ,
É a misericórdia do senhor ,
E eu em busca do perfeito ,
Que fez muito com amor :

" A espera de redenção ,
A palavra com atenção ,
Reflito , penso , faço oração ,
Do mais profundo do coração ,
A todos que rogam ,
E se interrogam ,
Deus estará presente ,
Orações do inconsciente " . 


Trajetórias amorosas

O sol vem e vai ,
Condicionado a revolta ,
O erro se sobressai ,
Diante de tanta bondade remota .
O tempo é Deus da prorrogação ,
Em minha cabeça permanece a interrogação ,
Dúvidas de um abandonado ,
Um peito que de ódio tem transbordado .
Entregado , sozinho , a deriva , deixado ,
Esperando pelo amor certo , um dia ser achado .
Sei que os ventos me ajudam ,
Em algo melhor , a cada dia me mudam .
Deixaram tanto ,
Que acabei escrevendo demais ,
Melhor do que pranto ,
Criar e sonhar cada vez mais .
Agradeço pelas verdades ,
E tolero as mentiras ,
Reflexos de puberdades ,
Lotadas de traíras .
Mas estou aqui ,
Sobrevivi ,
Por pouco perco ti ,
Valeu o que vivi :

" O fim me chama ao ouvido ,
Me fazendo um malicioso pedido ,
Me confiando guardar segredo ,
Para a humanidade ainda é cedo .
Dizendo sobre morte e vida ,
A dançar a última rima me convida . 
Retratando minha caminhada ,
Longe da alta camada .
Entre becos , vãos e vielas ,
Portas , portões e janelas ,
Se esconde a beleza ,
Que só se vê calado .
Longe do coração em dureza ,
Existe o caminho amado .
Na obtusa e hostil imagem da cidade ,
Distante , anos - luz do bocado de vaidade ,
Existe uma alma calorosa ,
O mundo e sua visão honrosa . 
Como a casca depressiva de uma rosa ,
Que vêm mostrar no fio escondido da prosa ,
As realidades gloriosas ,
Em suas trajetórias amorosas " . 


 


O mundo do plástico

O sol se vai ,
Mais cedo ,
A tarde cai ,
O medo . 
Vigiados ,
Assediados ,
Produtos de uma mídia libertária ,
A visualização dos quase ricos e poderosos .
Uma produção literária ,
Sobre os incompreendidos amorosos .
A verdade se esconde no mais visualizado ,
É difícil poder confiar em qualquer resultado .
Procurando muito ,
Consumindo exagerado ,
Descompensado a cada minuto ,
O descontente é gerado .
Revoltas em nome de entidades místicas ,
O mundo se curvou , e é escravo da crítica .
Quem gera e quem é alvo ,
Não me admira ser velho e ser calvo .
Os nervos estão sensíveis ,
Os laços indivisíveis .
Tudo é quase uma coisa só ,
A insatisfação em humanos nós .
Regredimos ao velho pó ,
E tudo se diz evoluído ou pós .
O verdadeiro sentimento foi esquecido ,
O fim já chegou , mas o tempo continua ,
O dia jamais amanheceu ,
Vivemos na era dos refugiados a lua .
Coragem , valentia , hostil ,
Retratos de uma falha infantil . 
Um viver virtual ,
Em desígnio alifático ,
Um coração mineral ,
O mundo do plástico .

 
 

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Sobre coisas do coração

O amor denota uma certa fraqueza ,
Estou tentando amar .
Queria que permanecesse a certeza ,
E continuasse no mesmo patamar .
Sempre há uma escolha ,
Inspiração , caneta e folha ,
É o que basta ,
Para um repente de sucesso ,
O ruim afasta ,
Um grande progresso .
Hoje descobri ,
Que sou preso ao passado .
Com fé me cobri ,
O amor têm me caçado .
E esta insistente sedução ,
Me chama a atenção ,
Uma particular produção ,
Sobre coisas do coração :

" O vento frio da tarde ,
Aterrissa ao meu lado ,
Prometendo tempestade ,
Longe do meu bem amado .
A força da paixão ,
Que aguenta qualquer situação , 
Entre a cama e o caixão ,
O que vale é a atuação .
Aquele desejo ,
Que derruba barreiras ,
Entre o desastre e o gracejo ,
É o valor de vidas inteiras .
Em silêncio , faço uma oração ,
Rogando aos anjos colaboração ,
Sobrevivi , uma breve comemoração ,
Sobre coisas do coração " . 

 

Visões agradáveis de uma curta vida inteira

Neste mormaço ,
Meu repente faço ,
A sombra do concreto ,
Continuo , mesmo sob ordem e decreto .
Minha rima ,
Abaixo ou acima ,
Retrata o ser humano ,
Seu comportamento ,
Tudo que há de insano ,
Em seu frágil pensamento .
Conhecer é evoluir ,
Sonhar é apenas dormir ,
Criticar , é tudo ou nada ,
Infância , uma falta danada .
Dotado de conceitos ,
Possuo também defeitos ,
Mas a escrita é a cura ,
O bem estar da escritura .
Faço desta tarde ,
Palco de minha solidão ,
O sol venceu a tempestade ,
Mas jesus jamais a multidão .
Se ele pouco agradou ,
Quem sou eu para agradar geral ,
O futuro me abandonou ,
Neste espaço alternativo sideral .
E a realidade do pobre é outra ,
Um mundo hostil que parece estar contra ,
A vida , sem recurso , é monstra ,
Nenhuma possibilidade de continuar se encontra .
Mas a verdade aparecerá ,
E verei do futuro o que será ,
Tenho esperança ,
Pés para a andança ,
Sonhos além de minha cama ,
Deve haver um ser neste universo que me ama .
A ponto de uma explosão ,
Corpo dolorido , sem contusão . 
Persiste a dor ,
Presente , desde o criador ,
De meu peito ,
Elemento decorador ,
Com ou sem conceito , 
Com preceitos de digitador . 
Esperando resgate ,
Desejando estar em uma cadeira ,
A sombra , sentado , tomando mate ,
Visões agradáveis de uma curta vida inteira .



terça-feira, 8 de novembro de 2016

Continuidade a obra poética

Escrevendo sobre os elementos ,
Sobre períodos diferentes ,
Descarregando conhecimentos ,
Ora descontentes , ora contentes .
A vida , viver e vivenciar ,
Dos textos jamais quero distanciar .
Digo sobre mares , céu , terras ,
Amores , intrigas , guerras ,
Estados de espírito e alma ,
Fúria , nervosismo , calma ,
Erros , acertos ,
Desacertos ,
Conteúdo adulto , infantil , bebê ,
O importante , para mim , para você ,
Para quem quer que seja ,
Que um desejo almeja .
Descrevi sobre fatos ,
Vivenciados ou de tatos ,
Verdades , mentiras ,
Sonhos , nostalgias ,
Confiáveis ou traíras ,
Ilusões e magias ,
Tudo no intuito de acrescentar a arte ,
Participar deste mundo em um caso a parte . 
As vertentes da política  ,
A situação ociosa crítica .
Os poucos e muitos ,
Das classes sociais .
As horas e minutos ,
De vidas individuais . 
Tudo a fim de informar com mais informalidade ,
Sempre lembrando de retratar a realidade .
O importante é olhar o futuro ,
Com uma olhar mais específico e puro .
Dizer o que há além da estética ,
Dando continuidade a obra poética .

Ditadura da crítica

Melhorar ,
Colaborar ,
Evolucionar ,
Revolucionar .
Tal coisa está errada ,
Tal coisa está certa .
Tal moda está encerrada ,
Determinado conceito se conserta .
Opiniões ,
Destaques ,
Questões ,
Ataques .
Quero isso ,
Quero aquilo ,
Um pouco disso ,
Um muito em quilo .
As verdades e mentiras ,
Dos bastidores ,
Piadas em tiras ,
Respostas dos públicos consumidores .
Conversas ,
Troca de informações ,
Discursos as reversas ,
Bate - papo sobre decisões .
Discursos reveladores ,
Discursos ardilosos ,
A verdade e suas dores ,
Os efeitos desonrosos .
Tem de saber mais ,
Para direcionar o que é demais .
Resolver em conjunto ,
Um devido assunto ,
Decidir dizer ,
Por prazer .
Opinar em um qualquer corpo de jurados ,
Sobre os que devem ser em conta levados .
A opinião favorável ,
Ou desfavorável ,
De qualquer situação ,
Que tenha sua determinada dimensão .
Sobre conteúdo e extensão .
Próximo do sim e do não ,
O que vale é a intenção ,
De dizer com candura e atenção . 
Um lado e outro ,
Como uma realidade eclíptica ,
Encontro e desencontro ,
Na ditadura da crítica .  
 
  



 

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

As estrelas carregam o meu diário

Uma hora o frio vem ,
O dia aos poucos se vai ,
É cada vez mais escasso alguém ,
Rapidamente a tarde cai .

A sombra do céu é enorme ,
O sol se cansa e dorme ,
O dia se põe ao final ,
O silêncio dá o sinal .

O vento toma proporção ,
Aumenta a adrenalina emoção ,
Vejo o gigante dormir ,
Espero , o que está por vir .

O prazer diurno ,
Se foi ,
Ao momento noturno ,
Digo " Oi " :

" O meu peito a adormece ,
Um sentimento que entorpece ,
Espero o momento igualitário ,
O meu verdadeiro horário ,
Desejo um instante humanitário ,
Congruente , e não contrário .
Cacos de um coração solitário ,
Dizendo sentimentos e seu código binário ,
A lua carrega meu desejo totalitário ,
As estrelas carregam meu diário " .

domingo, 6 de novembro de 2016

Madrugadas ociosas

Acordando de madrugada ,
Uma insônia , uma tragada .
Sonhos imperfeitos e obtusos .
Minha imaginação e seus abusos .
Penso nas perdas e nas derrotas .
É tanta perdição ,
Que desvio dos caminhos e rotas .
Sem qualquer condição :

" Preso neste sonho ,
Ora risonho , ora tristonho .
Quero caminhar certo ,
Da realidade estar apenas perto .
Me contento com pouco ,
Talvez por isso sou louco .
Aprendi com experiência ,
O quão vale uma limpa consciência .
Me distancio do que faz mal ,
Evidencio o bem , me afasto do banal .
Vejo mínimo ,
Quase perdi a visão ,
Faço uma revisão .
E percebo minhas fraquezas ,
Percebo minhas franquezas .
Reparos defeitos do interior ,
Erros e falhas de cunho inferior ,
Doenças poderosas ,
Pouco amorosas ,
Destaco verdades honrosas ,
Madrugadas ociosas " .


sexta-feira, 4 de novembro de 2016

VACA - Viciados em ar - condicionado anônimos

Refrescante dentro ,
Abafado fora ,
Nos sobrados do centro ,
É comedido agora .

Querendo mais ar - condicionado ,
Em exagero , chego a ficar asfixiado ,
Com tanta refrescância ,
Perto ou a distância .

Hei de ter percebido na infância ,
Há de se abrir sindicância ,
Sobre o apaziguador ,
Do exagerado calor ,

Que permanece a insolação ,
A salvação são os ventos em ação ,
Um assunto curioso ,
Sobre o mormaço caloroso .

Espero solução ,
Da fervência produção ,
Me dirijo a um sobrado ,
Para manter o calor afastado .

É quente ,
Este repente ,
Do agir consciente ,
Por um ar mais decente .

Tenho de me tratar ,
Um psiquiatra talvez contratar ,
Talvez participar de uma comunidade , 
Que trate doenças da cidade , 
Para os vícios e seus sinônimos ,
Viciados em ar - condicionado anônimos . 




terça-feira, 1 de novembro de 2016

Ressaca a guerra

Cansado ,
Desalmado ,
Procurando um remédio ,
Para o persistente tédio .
Deixei de lutar ,
Voltei a escutar ,
Trato amigos ,
Como melhores ,
Novos ou antigos ,
Longe ou arredores .
Penso na amada ,
Na alta camada ,
Vê-la bem ,
Me conforta ,
Se está com outro alguém ,
Pouco interfere ou importa .
Deixei as armas de lado ,
Equilibro estando calado ,
Entro na paz constante ,
Viver sensato , é o bastante .
Abandonei a guerrilha ,
Substituí por cigarrilha ,
Com o pouco que tenho ,
Faço fumaça , no céu , paz desenho .
Um passado temporário ,
Mas que tomou meu horário ,
Me fez ir ao fim do pódio ,
Machucado e perdido ,
Escravo permanente do ódio ,
O coração quente e ardido :

" O sabor da derrota ,
Me vela , e me enterra ,
Este assunto que as vezes volta ,
Jamais por si só encerra ,
Causando revolta ,
Em toda a extensão da terra ,
Além da paisagem remota , 
Meu peito , canta e berra ,
Sem proteção ou escolta , 
Sobre esta ressaca a guerra " . 

Erudito discurso temerário ao fim

O doce olhar ,
Faz a retina molhar ,
O corpo tremer ,
O pensamento correr .

Um corpo sarado ,
Um sentimento amado ,
Faz crescer ,
Renascer .

Um gingado ,
Um rebolado ,
Um jeito especial ,
Uma persona oficial .

Viajo em intenções ,
E também desejos ,
Dando as atenções ,
Dando muitos gracejos .

Já fui longe demais ,
Pra te conseguir agora ,
Queria saber mais ,
Como te conseguir , se vou embora .

Meu tempo está acabando ,
Não há como medir ,
O céu está desabando ,
Não há para onde fugir .

Mas saiba , que te amei ,
O quanto ? só eu sei ,
Lembre - se : Estarei por aqui ,
Minha alma nunca sairá daqui .

Se quiser algo , digo sim ,
É vantajoso ,  a você e a mim ,
De um modo especial assim ,
Erudito o discurso temerário ao fim . 

  

O destino próximo de um trovador

Perto do fim ,
Uns segundos do fim ,
Uns momentos ,
Alguns lamentos . 
Saudade antecipada ,
Sentimentalidade emancipada .
Penso em continuar ,
Sob sol e luar . 
Viver dignamente ,
Direto e constantemente ,
Até aonde o sol adormece , 
Até onde a nuvem amanhece :

" Talvez queria ter conversado mais ,
Ter feito ainda mais , pelos meus pais ,
Ter dormido mais na calçada ,
Ter feito mais serenata a amada ,
Ter comido mais doce ,
Com molho agridoce .
Viajado mais para o inferno ,
Tentado salvar mais almas queridas ,
Mas neste sonho imutável hiberno ,
Tentando sarar minhas feridas .
Ter adorado mais a Deus ,
Ter ampliado o círculo de amigos meus .
Ter pouco , mais ser ,
Ter visto o sol nascer .
Ter distribuído rosas ,
Para as donzelas .
Feito muito mais prosas ,
Ter jantado a luz de velas .
Mas já se foi minha hora ,
Basta analisar o agora .
Agradeço ao mundo arredor ,
Por ter me feito melhor .
Aprendo até com desgraça e dor ,
O destino próximo de um trovador " .