quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Perde - se o pouco , por ganância ao muito

Desperdiçamos o pouco que temos ,
Por tentar conquistar o muito que jamais teremos .
Buscando a solidão em algum momento da vida ,
Pois as noites em suas insanidades ,  inocentes a dançar convida .
Momentos existem pra curtir ,
Mas hoje o que importa é repercurtir .
Saudade só existe na língua portuguesa ,
Porém divida sempre existirá com a nação inglesa .
Ser criança ,
É ter boa lembrança .
Ser bêbado é inventar ,
E com a embreaguês contentar .
Ser velho é amanhecer ,
E os problemas esquecer .
Viver é notar os detalhes no tudo ,
E a partir disto supor um sonho profundo .
Chorar ,
É desmoronar ,
Substituir , é mudar por opção ,
Constituir , é machucar o coração .
Por que disse isto ?
Por nunca ter o bem quisto :

" Vazio ,
Frio ,
Solidão ,
Na multidão .
Verdade ,
Puberdade .
Fraqueza ,
Franqueza .
Delirante a cada instante , momento e minuto ,
Perde - se o pouco , por ganância ao muito " .


Rogando paz ao vento

A garoa do fim do ano ,
Castiga o ser humano .
Lenços , frio , umidade ,
Daquele calorzinho ,
Dá uma saudade ,
Neste verso sozinho .
Trancado neste corpo .
A falta bate o topo .
A rima acalenta ,
Uma sofrência lenta .
Posso provar minha inocência .
Se o destino deixar ,
Livrar minha consciência ,
Argumento achar :

" Pequenos sinais de arrependimento ,
Viver sem permissão ou qualquer consentimento ,
Viajando parado ,
Delírios no emaranhado .
O mundo que vejo ,
Não é o que penso ,
Permanece o desejo ,
De um tempo de vida mais extenso .
O mundo virou de costa ,
A saudade encosta ,
Faz - me refém ,
Deste certo alguém ,
Que me leva ao rebento ,
Que me esnoba cem por cento .
Que dispensa meu contento .
Desta balbúrdia em aumento ,
Pedindo aos céus acalento ,
Rogando paz ao vento " .

Dossiê do amor sem fim

Dias frios chegaram ,
As alegrias acabaram .
Cantou sua última nota .
O rouxinol .
A tempestade permanência denota .
Sumiu o sol .
O mundo é perigoso ,
Qualquer olhar é fogoso .
Queima o espirito e a alma .
Falências astrais .
Me afastam da calma .
Já vivi demais .
Apaixonado como de costume ,
O corpo suado , melado e azedume ,
Pede a amada uma última vez ,
Uma bebida ou um filme talvez .
Um cinema com pipoca e tudo ,
Mas não mereço nada .
Apenas sonho e me iludo .
Desejando a paixão danada .
Vejo casais por onde passo ,
A marca de milhares ultrapasso .
Juntos , amando e esbanjando afeto ,
Está certo ,  é o correto :

" Pode ficar com seu lugar , maldade .
Esquecido pela sociedade ,
Afastado da humanidade ,
Só me resta a solitária saudade .
O mundo não nos quer juntos ,
Prefere seus estranhos assuntos .
Amo quem está distante ,
Cantando em seu traje galante .
Todos batendo palmas e gritando ,
Um show de luzes . . .
E eu nessas cruzes ,
Carregando grande fardo ,
Descriminado por ser pardo .
Mas aqui é assim ,
Problemas a você ,
Problemas a mim ,
É como um dossiê ,
De como estou afim ,
Dossiê do amor sem fim " .

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

O perdedor está caótico

Perdi material ,
A paz arterial ,
Perdi dinheiro ,
Todo o ar maneiro ,
Perdi a solidão ,
Perdi a imensidão ,
Perdi a personalidade ,
Perdi a qualidade ,
Perdi ser perdedor ,
Perdi o pesar e a dor :

" Em meio ao mundo hostil ,
Uma criança em estado infantil ,
Que busca algo pra entorpecer ,
Um adolescente ao anoitecer ,
A madrugada velha e embebida ,
Em um caldo de depressão no âmago ,
Faz a cabeça de sentimentalidade consumida ,
Esconder o segredo amargo ,
Que faz o mundo rodar e movimentar ,
Um misto de pobreza com mal - estar .
Nada posso exigir do mundo ,
Afinal não é dele meu sonho profundo ,
Eu sou o real culpado ,
Indigno e desalmado ,
Esperando um conselho com mais ótico ,
Neste mundo noturno , escuro e gótico ,
O real jamais será lógico ,
O perdedor está caótico " .  

Canja

A paz sumiu ,
O sangue subiu ,
A vida é perder e ganhar ,
Em decepção estou na me banhar .
Tudo é questão de ponto de vista ,
Ter únicas escolhas no fim da vida ,
Ou viver nesta loucura mista ,
A refletir a vida me convida .
Perdi a noção de segurança ,
No interior está machucada a criança ,
Me fazendo desistir de continuar ,
Apenas durmo , pra me afastar do luar .
Acontecem coisas estranhas ,
No período noturno ,
Revira minhas entranhas ,
Torna - me soturno .
Penso em como viver em sociedade ,
Se há problemas em quantidade .
Vejo o sol nascer e pôr ,
Um mundo de cor .
Azul , vermelho , laranja ,
Uma rima , uma canja :

"Fui ao inferno ,
E voltei ,
Não há mais ventre materno ,
Eu sei .
Provei de um brinde no mundo inferior ,
Percebi que só deus é o poder superior .
Pensei em voltar ,
Pra dizer um oi ,
Vivo a me revoltar ,
Por alguém que se foi .
Minha amada ,
Vive calada ,
Em meus pensamentos ,
Em meus sentimentos ,
Em minha relação com o mundo ,
Me perco neste infernal profundo .
Mas hei de rimar ,
Hei de amar ,
Quero o amor que esbanja ,
Fica a mensagem , uma canja " .


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Anoitecer dos amantes

Parece o fim ,
De você a mim ,
Um recomeço ,
De uma nova era ,
Reconheço ,
Quem ama , espera .
Oito novembros separados .
Com qualquer coisa comparados .
Mas isto prova que há liberdade ,
Por qualquer que seja o rótulo da sociedade .
Sou livre pra escolher ,
O que plantar e colher .
Já fui buscar ajuda de tudo ,
Me liguei a este sonho profundo ,
Por saber do futuro , sou sortudo ,
O amanhecer será mais profundo .
Ás vezes bom ,
Ás vezes ruim ,
Me alivia seu som ,
Te trás até mim .
Vejo o mundo gastar - se ao máximo ,
E eu apenas te querendo próximo .
Sei que nunca fui o melhor par ,
Mas todo este tempo de sujeira , irei limpar .
Longe de te querer apenas por prazer ,
Quero te abraçar , beijar , e tudo mais que puder fazer .
O medo já se tornou responsabilidade ,
E já te amo com muita intensidade .
Aprendi a amar em qualidade ,
Quem me ama , de verdade :

" A claridão ,
A escuridão ,
É belo amar o oposto ,
Servindo amor no composto , 
Sonho com a noite e o dia ,
Namorados , pares em conjunto ,
Te buscar é meu principal assunto .
Um dia haverá o amanhecer ,
Um solstício eterno ,
Nos fará envelhecer ,
No sentimento eterno .
Por enquanto distantes ,
Com os peitos palpitantes ,
Aguardamos na noite , dias instantes ,
Momentos noturnos constantes ,
Saudades e faltas gritantes ,
Permanecendo no anoitecer dos amantes " .


  

Esperando o amanhecer dos iguais

A desatualização altera ,
Todo o meu fluxo de pensamento ,
Permaneço a espera ,
De um inovador e curador momento .

Vejo o clima me corroer ,
É uma verdade que doa a quem doer ,
Faz a ferida do passado abrir ,
Para amenizar , me coloco a rir .

Caridade é algo relativo ,
O problema não é doar ,
É qual será o real objetivo ?
Pense bem antes de doar ;

O que será feita com a doação ?
Será divisão aos mais necessitados ?
Alguém que abusa de pessoas de bom coração ?
Ou todos um dia já foram coitados ?

Ajudar faz bem ,
Ser explorado faz mal ,
Particularmente sou ninguém ,
Que trata isto de formato informal .

Tenho minhas revoltas ,
Mas costumo esconder
Em épocas remotas , 
Me colocaria a responder .

Mas já é tarde demais ,
E ajudar ou não ajudar é indiferente .
O mundo sempre vai querer mais ,
De gente pobre e inocente .

Digo isto por quê ,
O mundo é exigente ,
Comigo e com você ,
É pouco ser consciente .

Não abandono ,
Quem não tem serventia ,
Esperando o sono ,
Que trará paz em quantia ,
A nostalgia de que todos terão mais ,
Esperando o amanhecer dos iguais .