segunda-feira, 17 de abril de 2017

Bilhetes de senso comum

Os ventos vem do norte ,
Ventania sublime e forte .
Os ventos sul ,
Acinzentam o céu azul .
Os ventos do oeste ,
Trazem o frio da peste .
Os ventos leste ,
Fazem o temporal mestre .
Mas o que vem dela ,
O anjo mais puro vela ,
Recados delicados ,
Sinais desmistificados ,
Como símbolos secretos ,
Nesta garoa ,
Nas selvas de concretos ,
Rimando a toa . 
Tudo que é bonito ,
E brota do amor ,
Floresta do querer bendito ,
Que evoca valor .
Mensagens do fundo da alma ,
Valsam com os pingos que caem com calma .
A dança da chuva branda e suave ,
Molha os galhos e as plantas da mais bonita ave .
Tudo faz sentido ,
Neste sentimento mantido ,
Quero dizer mais sobre estes recados ,
Rascunhos de punhos nobres e delicados :

" Mais que um telefonema ,
Sem título , enredo ou tema ,
Apenas o seu suave perfume ,
Caneta cor betume ,
Letra precisa e delicada ,
Mensagens da noite calada .
Amante , sou mais um ,
Vindo de lugar nenhum ,
Romântico do século vinte e um ,
Bilhetes de senso comum " .

Eternos instantes de reflexão

A garoa desce ,
Sobre a cidade viva ,
Anoitece ,
A brisa me motiva .
O frio , o surto do clima ,
O vazio , vem lá de cima .
O coração do mundo chora ,
A emoção , é aqui e agora .
A verdade da estação ,
É outono em alma e coração .
Mas este é diferente ,
Sem ela , tudo descontente .
Fotos , já deixaram de sanar saudade ,
Imagens , envelhecem com a idade ,
Mas meu amor por ela é infinito ,
Neste século vinte e um ,
Tudo pode ser bonito ,
Mas o que procuro , ausenta em lugar algum .
Pequenas doses de alcatrão ,
Para aquecer pé e mão .
Queria vencer na vida ,
Ser alguém de sucesso ,
Mas algo mudou no processo ,
Encontrei nela progresso ,
Infelizes para sempre , só regresso .
Queria inverter o relógio do universo ,
E escrever o maior de quaisquer verso :

" Nas entranhas desta alma ,
O outono me trás calma .
No interior desta garoa ,
O canto de um anjo ecoa .
No vento de uma tarde morrendo ,
Este amor luta , e vem crescendo .
Nas árvores umidecidas ,
Em suas estruturas envelhecidas ,
Nasce o sentimento mais forte ,
A vida sobrevive , com um pouco de sorte .
Eu , ela e o universo em conexão , 
Eternos instantes de reflexão " .

Só mais um na multidão

Entre a poluição sonora ,
E a verdade notória ,
Restam eu e meus textos ,
Para viver , procurando pretextos ,
Meios de sobreviver ,
Nesta selva de concreto ,
Com mais qualidade viver ,
Sem parecer um idiota completo .
Mas o mundo fora ,
As vezes parece maior ,
Procuro agora ,
Um meio de me sentir melhor .
Já fiz de tudo para ser notado ,
Mal eu sabia ,
Como cumpria papel de coitado ,
Negando a sabedoria .
Como uma grão de areia ,
Uma gota dos oceanos ,
Em uma realidade feia ,
Esperando passar os anos .
Sou pequeno ,
E pecador ,
Ao vazio aceno ,
Como um amador .
Uma nuvem paira sobre minha cabeça ,
Uma sombra ameaçando chuva ,
Espero qualquer argumento que me convença ,
Que sou vida e não vinho de uva .
Mas o mundo nunca me dará motivo ,
Para que eu permaneça vivo .
Estará sempre um passo a frente ,
Valorizando aquele comercial de família contente .
O rico que ajuda o pobre ,
Um carro da moda feito de cobre .
Jamais viverei com boa condição , 
O mundo quer ostentação em imensidão ,
Desisto e pratico a rendição ,
Sou só mais um na multidão .  

Força do hábito

Habilidade de escrever ,
Habilidade de longe ver ,
Habilidade de saber ,
Habilidade de poder .

Dom da fala ,
Dom que exala ,
Dom da humildade ,
Dom da saudade .

Sapiência de escolha ,
Sapiência que o acolha ,
Sapiência de viver ,
Sapiência de conviver .

Capacidade de aceitar ,
Capacidade de compreender ,
Capacidade de receitar , 
Capacidade de entender .

Aptidão para serviços manuais ,
Aptidão para serviços gerais ,
Aptidão para perdoar ,
Aptidão para doar .

Qualidade do dever ,
Qualidade de recompor ,
Qualidade de reaver ,
Qualidade de compor .

Engenho para servir ,
Engenho para ir e vir ,
Engenho para ser amigo ,
Engenho do novo ao antigo .


Navegando no mar náutico ,
Ou estudando o mundo ártico ,
Desbravando o universo Báltico ,
Nada muda ou altera a força do hábito .



quinta-feira, 13 de abril de 2017

Cão sem dono

Lembrei do cheiro das rosas ,
Que cheirava no verão daqueles dias .
Hoje só restam prosas ,
De outonos em noites vazias .
Pensei muito em você ultimamente ,
Insano , inconsequente e inconsciente .
As verdades mudaram ,
Minhas calças não servem mais , 
Tempos passaram ,
E a sociedade é composta de animais .
Viajei para locais afastados ,
Com os nervos levantados ,
Em busca de saber quem sou ,
Voltei descansado , mas nosso amor não voltou .
Pequenas doses de tabaco ,
O tabagismo me assombra ,
Fim da semana , estou um caco ,
Trabalhando para buscar uma sombra .
Recordações de uma alma insistente ,
Em acreditar que a vida pode ser mais contente .
Na verdade só queria você ,
Como se diz , como se lê ,
Infelizmente fui te amar ,
Agora no abandono ,
Seu nome em pesadelos a chamar ,
Como cão sem dono . 


quarta-feira, 12 de abril de 2017

O aniversário da vovó Maria

Os ventos sopram há 72 anos ,
Lavar louça , lavar garagem ,
Lavar quintal , lavar panos ,
Dona de casa de coragem .
Fonte de inspiração ,
Para este coração ,
Que jorra de alegria ,
Pela querida vovó Maria .
Pessoa excepcional ,
Mulher sensacional ,
Uma reza em pessoa ,
Nunca nos deixará à toa .
Mãe , mentora ,
Mulher , criadora ,
Parceira ,
Companheira ,
Querida e amada ,
Para as artes delicadas voltada .
Fez de mim um homem ,
Onde dúvidas não me consomem ,
Tornou-me confiante ,
Suficiente e bastante ,
Para seguir em frente ,
Em vida e repente .
O mundo está em festa ,
Dos céus uma orquestra ,
Musical ,
E coral ,
Um anjo com sabedoria ,
O aniversário da vovó Maria .

terça-feira, 11 de abril de 2017

Lapada poética

No terceiro sábado do mês,
A tarde , após as três ,
No Ferradura Bar ,
A poesia está longe de acabar .
Música , rima , vida inteligente ,
Neste sarau a luz do luar ,
A lua é regente ,
Diz que devemos continuar .
O papéis amassados no bolso da calça ,
As frases na consciência e na alça ,
Tanto fora do lar ,
Quanto no madrugar ,
Os versos no velho e bom celular ,
As idéias em estrofes acharam seu lugar.
Encontro refúgio ,
Um palco para os meus caprichos ,
Inexiste repúdio ,
São libertados os bichos .
Um coração pulsando na geral ,
Viajo para o espaço sideral ,
Lembrando de um passado ,
Arcaico , ultrapassado .
Sinto - me acolhido ,
Para rimar fui escolhido ,
Deparei - me com a ética,
A vida já não é mais tão patética ,
Aprendendo a viver com a pluralidade estética ,
Gratidão ao sarau Lapada poética .