domingo, 15 de junho de 2014

A ventania de uma tarde oferecendo a mim conselhos

Ninguém ao lado na cama , 
Te perdi pra glória e pra fama , 
Acendo um cigarro , 
Lembro do passado , 
Em escrever me agarro , 
Um futuro traçado , 
Em fugir me amarro , 
Sem ninguém ao aguardo , 
Ao pó vou e vim do barro , 
Um semeador ao tom pardo , 
Vejo o vento percorrer minhas entranhas , 
Em sonhos surreais de noites estranhas , 
Tento fazer sentido pra quem lê , 
Mas no fundo quem eu quero é você , 
Arranjando desculpa pro abandono , 
Escravo das palavras ou do silêncio o dono ? , 
Penso em reagir a toda esta situação , 
Fazendo neste teatro da solidão atuação , 
Um personagem principal de qualquer tira de quadrinho , 
Em um lugar lotado e caótico me sentindo sozinho :

" Um tufo de poeira , 
Percorre meu coração , 
Uma noite inteira , 
Pra você em adoração , 
Já me agarrei em religião , 
Mas não é meu forte , 
Sou de qualquer região , 
E tenho um pouco de sorte , 
Vi o frio e o vazio , 
O que eles podem fazer , 
Acendo o fumo vadio , 
E sinto o contrário prazer , 
No amor apenas hão de ter sinais vermelhos , 
A ventania de uma tarde oferecendo a mim conselhos . "

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