As coisas simples da vida ,
Quando o vento a dançar me convida ,
A noite quente como um cobertor ,
Nesta peça chamada saudade sou ator ,
Vivendo o desgosto do abandono ,
Pelo menos do silêncio sou o dono ,
E só a dor de uma palavra pode me ferir ,
Porém , só uma combinação de dizeres me faz sorrir ,
Vi mais um dia passar sem minha amada ,
Esperando um sinal nesta humilde camada ,
Onde as nuvens se formam saindo do cigarro de forma alada ,
Aprendendo com o horizonte opaco de uma sonoridade calada ,
As luzes choram pelo astro rei ter ido embora ,
E se esforçam para iluminar até chegar a hora ,
O amanhecer que faz acordar ,
Mas que também faz sofrer ,
Só faz ainda mais recordar ,
Do que passado em que houve perder ,
O cheiro das ruas não é pra mim ,
Desejando um retorno até o fim ,
Viajando pelos montes mais baixos e fecundos ,
A maldição de um amor interminável e profundo .
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