sábado, 31 de dezembro de 2016

Refúgio poético

Pedaços de um coração partido ,
Cacos de uma história nos ventos ,
A bandeira da paz foi manchada e retida ,
Foram desperdiçados os momentos .
Levo comigo as marcas no corpo ,
De quem hoje está no topo .
Carrego cicatrizes eternas ,
De correr ,
Carrego dores nas pernas ,
Até morrer .
Fui algemado ,
Fui amarrado .
A liberdade foi ferida ,
Golpes na minha riqueza preferida ,
A acusação foi deferida ,
A destruição foi inserida :

" A minha fuga ,
Quando a mente pluga ,
No livre senso estético ,
Meu refúgio poético " .

Terra firme

Depois , deste amor em alto mar ,
Aguentando sentimentos nadadores assassinos .
Me impedem de amar ,
E ter alguém , como os outros meninos .
As encostas barreiras ,
Param as ondas ,
Histórias de vidas inteiras ,
Em um computador embaixo do microondas .
Neste barco corporal ,
Neste piso inacabado coral ,
Vejo o povo ,
Torcendo pra eu me afogar ,
Sou novo ,
Ainda há como revogar .
Procuro uma ilha ,
Meu clã , minha matilha ,
Um vestígio de vida ,
Além de meus delírios .
O diabo me convida ,
A ser puros martírios .
Sonho no que há além ,
Deste fechado oceano ,
Um espetacular alguém ,
Que entenda meu aspecto insano .
Terras , pessoas , lugares , objetos ,
Ser feliz , vivendo entre dejetos :

" Os tubarões do governo em volta ,
A realidade é uma malícia remota .
Ideologia : um time de futebol .
A calma : um de trânsito farol .
Política : uma alguém manipulável .
Um palhaço formidável .
Religião : aquela que aceita meus vícios .
Deus : aquele que perdoa , e provoca chances de reinícios .
Um sinal que confirme .
Uma realidade que reafirme .
Este desejo de terra firme " .  



sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Viagem Baiana :"Relação histórica de uma oculta e grande povoação antiquíssima sem moradores, que se descobriu no ano de 1753”.


No subúrbio de um bairro paulistano , vive uma família muito simples . Moram na casa :
Gerônimo ( filho ) , Geraldino ( Pai) , Isadora ( Mãe ) e Giardino ( Avô paterno ) .
Hoje é um dia especial , todos arrumando malas e já carregando o carro , pra tão sonhada férias na Bahia .
A origem da família é baiana , apesar da maioria já ter migrado e residirem em São Paulo .
O carro está pronto para sair , apenas o vovô ficará em casa . Diz , que irá depois , precisa resolver uns assuntos .
Todos aceitam e antecipam a chegada  , a espera do vovô .
Dez horas de viagens depois , após 3 paradas desde a manhã seguindo o curso , todos já cansados , começam a despertar e a alegrar , Finalmente chegam a Igatú , município de Andaraí, em plena Chapada Diamantina, no Estado da Bahia .  . É de noite , e logo vão a pousada já com reserva e pagamento antecipado . Geraldino muito organizado ,
já antecipou tudo , por isso Isadora casou - se com ele , ela sempre diz , " Amor acho até que sabia que iria casar comigo " .
Bom todos acomodados em suas camas . Geraldino e Isadora em um quarto , e Gerônimo em outro , a espera do vovô já há até uma cama .
Todos dormem um sono pesado , e Gerônimo antes do descanso em terra firme , escovou os dentes , tomou banho , colocou o pijama , colocou o relógio para despertar cedo . Acho que no quesito emancipação , puxou ao pai . E no quesito  " aventura " puxou a mãe .
O apito da pousada soa , e todos os hóspedes acordam , 15 minutos depois todos estão no refeitório tomando o café da manhã .
E nossa família viajante também . Uma breve conversa , pois o café está caprichado , estão com fome e é superflúo conversarem agora .
O café da manhã termina , todos vão aos quartos .
Gerônimo pede licença , e pede aos pais que o deixem passear pela cidade , eles apenas dizem " Não vá muito longe " , quase como um coral ,
o filho ri , e segue sua jornada em busca de aventuras . Após andar um pouco encontra uma praça na cidade , olhando para o chão em pensamentos trívios .
Senta em um banco da pequena praça , e vê um brilho em um arbusto , quando corre para ver dá de cabeça com um outro garoto :

 - Eu vi primeiro - disse o desconhecido até então .
 - Podemos dividir - disse Gerônimo - eu vi uma loja de penhores na esquina , podemos repartir os ganhos , a propósito , eu sou Gerônimo ! .
 - Há , eu sou Artur , e trato feito . Cinquenta por cento para cada um , o que acha ? - disse o agora conhecido .
 - Tudo bem , vamos lá .
Gerônimo começou a observar a moeda enquanto caminhavam , estupefato e surpreso diz :
 - Este objeto traz uma série de emblemas gravados em toda a superfície,
além de um rapaz ajoelhado em uma das faces, e de imagens de uma coroa, um arco e uma flecha gravados na outra . . . -
Mal terminou de falar o que via na moeda , quando uma grande luz os consumiu no tempo e no espaço , os levando para bem longe .
Os dois abrem os olhos , estão em mata fechada , em uma clareira , com um único caminho , onde ao longe dá para ver uma cidade .
Os dois em silêncio , correm para a construção , em busca de ajuda . Em quinze minutos de caminhada , chegam as ruínas .
Um olha pro outro , e Artur diz :
 - Está ouvindo este barulho ?
 - Sim , acho que é um sacrifício humano . - Um barulho de uma multidão , e ao que se consegue ver , um escravo em cima das ruínas ,
e um povo fervoroso , falando mal dizeres e provocando o sacrificado , que se encontra amarrado e muito ferido .
Há também , um moço de aparência viking , segurando uma moeda , igual a moeda dos garotos ,
Gerônimo não pensa duas vezes e diz :
 - Acho que aquele na cadeira com a moeda é o rei , tive uma ideia , me segue .  -  os dois entram escondidos .
O povo pede a morte do escravo , e o Viking - rei - e - autoridade , se levanta e faz sinal de negativo com a cabeça .
Dois guardas , pegam tochas , seguem em direção ao pico de sacrifícios , mas algo chama a atenção do povo , e o sacrifício cessa .
 - Eu sou o rei do futuro , vim levar o escravo para trabalhar em meu reino , em troca lhe dou esta moeda .
Todos olham o rei , e este diz :
 - Se aproximem forasteiros , e me mostrem esta moeda .  - os dois se aproximam em silêncio , e o rei pegando a moeda diz :
 - Esta é a moeda que faltava em minha coleção , soltem o escravo e liberem os viajantes .
O escravo agradece e segue com os dois . Chegando a um certo nível de caminhada começam a conversar :
 - Meu nome é Malek - fez uma pausa e diz - e o de vocês , quais são ?
 - Artur .
 - Gerônimo - responde e continua com uma pergunta - por que queriam te sacrificar ?
 - Sou escravo aqui , mas rei em minha terra de navegadores somalis . Disputa política , só isso - Algo interrompe , a fala de Malek , uma voz diz " Pensaram que iríamos os libertar , tolos , vamos caçá - los e ,
sacrificar os três " , e outra voz diz , " Vamos fazê - los pagar ao invadir nossas terras " , gritando á plenos pulmões .
Os três fugitivos começam a correr até chegarem no Rio Paraguaçu . Quando sem barco , sem armas e sem saberem nadar ,
ouvem um barulho , Malek ri e diz :
 - Haha , Rufus , aqui . . .  - Uma longa embarcação , com mais de cinquenta piratas navegantes ,
Prontos para acatar as ordens do grande rei Malek .
 - Chegamos para a festinha ? espero ganhar um pedaço do bolo ? - Todos riem , é Rufus , general do reino somali de Malek .
  Gerônimo , Malek e Artur , embarcam . Depois das apresentações , os marujos descem e vão de encontro ao povo fervoroso .
Os três fugitivos permanecem no barco com Rufus por precaução . Algumas horas depois , o povo rendido é levado ao barco .
Antes sacrificadores , agora prisioneiros . Todos se despedem de Artur e Gerônimo , e Malek diz :
 - Antes de me despedir , preciso lhes dispensar para seu mundo .  - Ele pega a moeda já recuperada , e diz :
 - Este objeto traz uma série de emblemas gravados em toda a superfície,
além de um rapaz ajoelhado em uma das faces, e de imagens de uma coroa, um arco e uma flecha gravados - Mal Malek terminara ,
e os dois garotos foram transportados de volta a Bahia , nos tempos de hoje . Acordam na praça . Gerônimo coça o bolso ,
e acha a moeda . Mas acha melhor deixar com Artur - Tome , Artur você merece - e este diz - Obrigado preciso ir ,
meus pais devem estar preocupados .  - se despedem com um abraço e vão em sentidos opostos .
Gerônimo chega no seu quarto na pousada , que esqueceu aberto , e se depara com seu avô . Lhe dá um abraço apertado , e seu avô diz :
 - Olá , sabe que esta cidade é mágica , néh? preciso lhe contar uma história .
 - Qual ?- diz estupefato Gerônimo .
 - A do manuscrito quinhentos e doze , o escravo e a moeda .  -
 - Vovô , o senhor sonha mesmo hein ? - tenta enganar Gerônimo , mas Giardino diz :
 - Olha o que tenho aqui - tira do bolso uma moeda , e continua - a moeda mágica , oras bolas . Dizem que ela pode te transportar
pelo tempo e espaço . Dizem que um rei Viking a perdeu em uma disputa com os piratas somalis .
 - Hahaha - ri exageradamente o neto , um misto de susto com graça e diz :
 - Vovô , acho que eu é que tenho de te contar esta história .
 E os dois riem exageradamente .

Ás vezes , o mundo nos quer impor regras e nos escravizar . Mostre ao problema que você tem um Deus maior , tenha voz ativa ,
e siga seu coração . O mundo pode ser melhor , se cada um resolver seus próprios desafios , para crescermos conscientes e ponderados .
E esta é a história da " Viagem Baiana :"Relação histórica de uma oculta e grande povoação antiquíssima sem moradores, que se descobriu no ano de 1753”.

Calor do momento

No ímpeto da alma ,
Onde não há mais calma ,
As ações de um ansioso ,
As atitudes de modo caloroso ,
Levam ao fim não muito bom ,
Na textura , fatalidade e no tom :

" Dizer palavras na hora errada ,
Dar uma situação como encerrada  .
Viver falando mal do outro ,
Causar e investir em desencontro .
Acusar ,
Sem saber .
Recusar ,
E descaber .
Agir com impulsividade ,
Agir sem noção de atividade .
Sem ciência dos fatos ,
Susceptíveis desacatos .
Agir sem pensar ,
Sem raciocínio ,
Sem repensar ,
Com falta de domínio .
No agir do fomento ,
No calor do momento . "



Postremo

O último de uma sequência , 
A cuidadora consciência .
Me desmancho em solidariedade , 
Costumo trabalhar com seriedade . 
No fundo sei meu valor real , 
E jamais me envolvo no calor do momento , 
Ás vezes o mundo é surreal , 
Mas me perco em orações ao vento . 
Ajudo o primeiro , 
Por inspirar isto a mim . 
Um ato costumeiro , 
Até chegar o meu fim .
Neste universo , 
Encanto com verso , 
Qualquer ser humano , 
Sem distinção , 
Normal ou insano ,  
Serei o último da raça em extinção . 
Diferente sim , 
Melhor que o outro jamais . 
Sou assim , 
Último eu , primeiro os animais . 
Tudo pode acontecer , 
Melhor ficar atento , 
O fio das horas a tecer ,
O estudar , que torna o tempo lento .
Acredito no futuro para meu povo , 
Cuidarei do velho ao mais novo , 
De todos e de você , 
Sou o texto , tudo me lê . 
Sozinho e pensativo , 
Ao futuro tremo , 
Sou muito inventivo , 
Sou o excluído postremo . 
 

 

Crise humanitária

Falta de ajuda ,
A falência permanece ,
O país não muda ,
O povo enlouquece .

Falta de situações ,
Que tranquilize a população ,
Descrédito em atitudes e ações ,
Torna uma sociedade sem qualificação .

A espera de um milagre ,
Uma notícia que pouco desagrade ,
Da água ao vinho , do vinho ao vinagre ,
É a falha e envelhecida malícia da humanidade .

As vertentes políticas são inculpavéis ,
O histórico desta nação está deflagrado ,
Busco alternativas individuais sustentáveis ,
Para ao meu redor criar um ambiente de agrado .

Tento fazer minha parte ,
Seja por seriedade ou arte ,
No fundo este plano de governo está sedentário ,
Enquanto o país recebe bolsa família ,
O exterior de dívidas , está milionário .
Uma situação que humilha .
Esperando uma verdade igualitária ,
Que resolva , esta crise humanitária .


quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Mania de perseguição

Em cada esquina um " olá " ,
Em qualquer beco ,
O pessoal está ,
Permaneço seco .
Na televisão ,
Rádio ,
A ilusão ,
Do áudio .
Meu nome ,
Meu apelido ,
Me consome ,
Este momento incompreendido .
Vejo cartazes , imagens , sinais ,
Sequazes miragens tais ,
Fazem repensar esta construção ,
Querendo na divulgação fazer redução .
Todos querendo saber ,
Onde me escondo ,
A verdade há de caber ,
Não estou supondo .
Minhas rimas e versos ,
Em mídias imersos ,
Minhas verdades no papo do bar ,
No sertanejo , no rock , no sambar .
Eu comecei tudo ,
E sozinho ,
Me iludo ,
Procurando caminho ,
No conselho do passarinho ,
" Volte ao ninho " .
Esperando consolidação ,
Nesta situação ,
Que controlem esta emoção ,
Mania de perseguição .
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