sábado, 6 de outubro de 2018

Primeiro sarau vozes do ABC

Fim semanal ,
A espera ansiosa ,
Para o começo e o final ,
Da arte gloriosa .

Performance ,
Música ,
Uma chance ,
Fundamental e única .

Um frio na barriga ,
Uma insegurança ,
Um poema que abriga ,
Uma bela esperança .

Vejo no céu ,
Poesia sem papel ,
E nem sequer caneta ,
Imagem poética ,
Sem inscrição ou letra ,
Quase profética .

Agradeço ,
A quem ouve ou lê ,
Amanheco ,
Sem ter por quê ,
Desconheço ,
Perde ,
Pertenço ,
Ao primeiro sarau vozes do ABC .

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Fragmentos do que sou

Cantos umedecidos ,
Pensamentos amanhecidos ,
Verdades de uma noite infinita ,
Memórias de uma tarde bonita ,
Em que via meu reflexo no espelho ,
O sangue queimava ,
E parecia vermelho ,
Pensando em quem amava .

A gota trepida pelo acostamento ,
Viciado e intenso ,
Assim era o momento ,
Um tanto pretenso ,
Pois o dia sempre anoiteceu ,
E sentir parece extenso ,
Como algo que envelheceu ,
Um dia tenso .

Vejo o vento sob a velha janela ,
Noites , uma sequer não foi bela ,
O dia e dormir quando anoitece ,
Saber o que precisa , pelo que se conhece ,
Mas os tempos são outros ,
Tudo mudou ,
Vários encontros ,
Formam o que sou .

Um passarinho me contou ,
O que foi e o que me ajudou ,
O mais difícil passou ,
Fragmentos do que sou .

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

O azul do final do dia

Em noites frias de Outubro ,
O cheiro no lençol ,
Aromas ao som do peito rubro ,
Fazem fazer falta o sol .

O olhar na foto brilha ,
A dor esmerilha ,
E me torna formato incongruente ,
Apelo a mente , pois o coração está doente .

O vento sob o fim da tarde ,
Meu corpo se encarde ,
E é levado pra outro canto ,
Onde a abstinência causa pranto .

Na veia corre solidão ,
No olhar , horizonte e imensidão ,
Cercado de vida , e só ,
Observando sob guitarras em dó .

Está por vir ,
Uma noite tardia ,
Há de sorrir , 
O azul do final do dia .





quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Cauteloso todavia

Garoa , chuva , frio ,
A noite sem ela ,
É um eterno vazio ,
Vejo pela janela ,
O arrepender tardio ,
A luz amarela ,
O lábio ardio ,
Uma falta daquela .

A vidraça molhada ,
Aquela tarde avermelhada ,
O vermelho do amor ,
Um eterno calor ,
Que jamais se dissipará ,
Tão facilmente ,
Procuro onde está ,
Aquela em minha mente .

Estrelas artificiais ,
Luzes de prédios ,
Quero mais ,
Que apenas sonhos médios ,
E um pouco de anestesia ,
O vício de todo dia ,
A velha lembrança ,
Épocas eternas de criança .

O brilho ,
Da noite e do dia ,
O caminho eu trilho ,
Cauteloso todavia . 

Chuva , sol ou luar

Existe algo além das estrelas ,
Uma energia que conduz a paz ,
Centenas de luzes em centelhas ,
Que me conduzem ao capaz ,
Viver em serenidade ,
Esquecer a saudade ,
Abraçar o destino ,
Ser mais que um menino ,
Mas parte de algo maior ,
Que me torna melhor ,
Um grau possível de inteligência ,
Um gênero de consciência ,
Em números alarmantes ,
Melhorias além horizontes ,
Uma nova concepção ,
A calmaria no coração ,
No corpo e na alma ,
A energia que acalma ,
E me induz a continuar ,
Esteja chuva , sol ou luar .

terça-feira, 2 de outubro de 2018

O reflexo na janela

Noite de outubro ,
Quente como fornalha ,
O fumo tinge o rubro ,
O ingênuo ou o canalha?
Escolho um pouco dos dois ,
Para ser exato ,
E não me arrepender depois ,
É fato .
Vejo o azul na parte noturna ,
Me envolver como uma urna ,
Esquentando os membros atrofiados ,
Sentidos levados e vazados ,
Extremos e exagerados ,
Sensíveis e desarmados .
A neblina do fim da tarde se foi ,
A chama da noite disse um oi ,
E a brisa continua lá ,
Para lá , e para cá .
Os barulhos no coração ,
A consciência confusa ,
Silêncio em oração ,
Afastando a ação difusa .
A noite é bonita e bela ,
Qualquer luz é vela , 
A lua sentinela ,
O reflexo na janela . 

 

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

História ilusória

O sono insiste em trapacear , inventando outros motivos para abastecer a insônia . Daqui vejo o céu chorar de vez em quando , descarregando suas gotas , sob a terra lotada de corrupção , falsidade e traição . Algumas luzes na rua , aviões no céu e buzinas de carro no asfalto , um cigarro e um café gelado , para dizer o quanto estou chateado . Há dez anos que minha abstinência dorme , mas hoje parece que nunca estive limpo , e todos os motivos levam para a mesma direção... o uso! Percebo que não estive no controle , e que estar limpo é acreditar no invisível , no nada absoluto , na presença de alguém que já se foi , visitar um lugar diferente , crer em contos utópicos , criar uma história ilusória .