O vento de inverno ,
Remete ao inferno ,
Inferno dos sonhos esquecidos ,
Dos desejos anoitecidos ,
Da tarde de julho ,
Do eterno barulho .
Trânsito , vozes , poluição sonora ,
A vontade contínua de ir embora .
Fugir , desaparecer ,
Em qualquer casa na floresta envelhecer .
Os dias são mais espinhos do que rosas ,
Resta me consumir , em rimas , versos e prosas .
Sempre há uma escolha ,
Sem computador ,
Só preciso de caneta e folha ,
Para afastar a dor .
A dor da saudade ,
A decepção da vaidade ,
Os sentimentos pedem ,
As razões impedem .
Sou andarilho da noite fria ,
Sou amante da lua vazia .
Esperando que aquela garota olhe ,
Que aquele amor se desenrole ,
Que a verdade seja dita ,
Que valha a pena , cada escrita .
Tudo diz uma só expressão ,
Uma alma sem concreta impressão .
Sei de tudo agora ,
Pois botei muito pra fora ,
Esta é a hora ,
De entender e ir embora .
Como quando nasci ,
Procuro um beijo igual ,
A cada dia , renasço e renasci ,
A renovação da vida é o sinal .
Perdido neste lugarejo ,
Permanece o desejo ,
De encontrar meu lugar - vilarejo ,
Dos becos sujos da vida , um andarejo .
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