sexta-feira, 2 de junho de 2017

Contato indireto

Te vejo no sol desta tarde ,
No chão do asfalto que derrete e arde .
Te encontro na solidão do cotidiano ,
Me deparo contigo , no vento de outono .

Esbarro contigo ,
Em qualquer livro antigo .
No sonho de uma noite fria ,
No pesadelo de uma madrugada vazia .

Te sinto no céu estrelado ,
Na menina sentada no banco ao lado .
Te ouço no barulho da tarde indo embora ,
Percebo sua voz , na estridente poluição sonora .

Me vejo no espelho ,
E encontro você .
No alarme pentelho ,
Cujo contador , conta as horas pra lhe vê .

Percebo sua presença no morador de rua ,
Em dias de céu aberto ,
Milagrosamente e diurnamente na lua ,
Em qualquer instante incerto .

Com você estaria completo ,
Saudade , ao estar com afeto repleto .
Nunca saberei se foi correto ,
Ter contigo , este contato indireto . 
 
 

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