quarta-feira, 30 de maio de 2018

Ternura incompreensível

Viver escrevendo e me desligar do mundo , tudo parecia fácil , até ela surgir . No vento sobre as árvores , de uma noite apaixonante , a brisa parece sussurrar seu nome aos meus ouvidos . O mistério sobre o que temos , a verdade que migra de corpo em corpo até te encontrar . Sentimentos que nunca senti nestes trinta anos , sendo o que devo ser . Esta relação , mudou-me . Sou o que mais desprezava em mim , é confortável e também real . Nas luzes artificiais próximo ao fim do dia , vejo seu rosto em tudo , pareço flutuar enquanto a retina umidece pela distância . É claro que gosto de você , me faz enfrentar as situações mais complicadas e delicadas , sem perder jamais esta ternura incompreensível .

terça-feira, 29 de maio de 2018

Eterno poema

Que me perdoem as flores ,
Pois não fui um bom jardineiro ,
Exagerei em amores ,
Dia e noite , o tempo inteiro .
Espero que o sol ,
Supra suas necessidades ,
Que além de praia , mar e farol ,
Eu supere o excesso de saudades . 
No ventre deste poeta ,
Na verdade incompleta ,
Sempre há necessidade de escrever e amar ,
Além de clamar , exclamar e declamar :

" Na noite que não quer terminar ,
O tempo ganha seu espaço ,
Vem meu coração fulminar ,
Meu peito em despedaço .
Os tempos são outros ,
Os demônios querem minha cabeça ,
No meu encalço os monstros ,
E nenhum motivo que me convença .
Mas sabe , faria tudo de novo ,
Sem me importar com o povo ,
Teria declamado mais minhas paixões ,
Me perdido mais em reflexões .
Sou aquele que perdoa ,
Que ri á toa ,
Que vê esperança em tudo ,
Sozinho , me iludo . 
Amei demais ,
Este é o problema ,
Quero é mais ,
Ser este eterno poema " . 

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Depressões de uma segunda feira

Te desejei em um final de semana . Onde as estrelas e a lua gritavam profundamente o seu nome . O calor da cama em ausência , pela sua ausência . Problemas , dúvidas , fraquezas e uma criança que aprendeu a amar , nunca disse que era perfeito . Nas expectativas e nas introduções , pensei que meu futuro duraria , pura ilusão de poeta sonhador . No ventre corroído pelas pestes de um amor incurável , vejo os resultados de agradar e se doar ao máximo . Pequeno sou eu , perto deste mundo , e suas regras idiotas de amor . Hoje , deprimido e afastado de todo o resto dito normal e sociável , sei o que vai acontecer comigo , mas não sei com você . Queria pela primeira vez , pegar o erro antes que ele acontecesse , mas o destino é mais forte , e nada posso fazer . Descendo os limites do sentimento de um coração doentio e amargurado , vejo que há problemas que eu não posso resolver , junto ou sozinho . Depressões de uma segunda feira .    

Causos de desordem e regresso

O calor de uma tarde ,
Começo de semana ,
O asfalto arde ,
Na contação cotidiana .
A greve da vida ,
Vão chamar a morte ,
A opinião dissolvida ,
De uma falta de sorte .
Todos sem saber ,
Se sair ou permanecer ,
A notícia a descaber ,
A verdade a desconhecer .
Fogo contra fogo ,
Metal contra metal ,
A raiva é seu logo ,
Balbúrdia total .
Sem combustível pros carros ,
Boto o velho tênis , e embainho um cigarro ,
E sigo a estrada dos revoltados ,
Com os dizeres dos rebelados ,
Vou no caminho sonhando ,
Com um mundo melhor ,
Vou rimando ,
Por tudo ao redor .
O país do regresso ,
Do poder possesso ,
Um erro expresso ,
Causos de desordem e regresso .


A ode ao desejo

Em qualquer lugar ,
Nunca fui de me drogar ,
Mas aceito um fumo ,
Para amenizar a dor ,
Com rapidez consumo ,
Para tentar curar deste amor ,
Até então , sentimento incurável ,
Pedinte ao coração , eterno miserável .

A água que bebo ,
Para evitar pedras nos rins ,
Mais uns dias recebo ,
Para viver e afins .
Vejo no rótulo do seu coração ,
Que terei de fazer muita oração ,
Para sarar nossos inconvenientes ,
De amores passados , provenientes .

Não sei quem sou ,
Mudei e envelheci ,
Não sei onde estou ,
Neste corpo amanheci ,
E só lembro daquele beijo ,
A ode ao desejo . 



Deprimido em estágio profundo

O sol  , de uma tarde de segunda ,
Me afasta e me afunda ,
Numa superfície desforme ,
Enquanto , tudo adormece e dorme ,
Em um cobertor fino ,
Em uma cama improvisada ,
Ouço o sino ,
Os passos de minha amada ,
Mas , ela vai em outra direção ,
E eu pra outro rumo ,
Quando confuso o coração ,
Apronto isqueiro e fumo ,
E sigo a reta ,
Sigo a seta ,
Sou poeta ,
Nada me completa :

" Imperfeições do mundo ,
Deprimido em estágio profundo ,
Tudo me leva a solidão ,
Perdido na imensidão ,
Na vida , no ar , na irrealidade ,
Perder uma certa probabilidade ,
Já não há possibilidade ,
Mas , falta de qualidade ,
Um efeito de vida ,
Uma verdade sortida ,
Um conceito fecundo ,
Deprimido em estágio profundo " .  

Desculpe , coração em manutenção


O vento sopra ,
Faço uma manobra ,
Uma rota de um fugitivo ,
Amar...há mais de um motivo .
Sinto na pele ,
A estação fria ,
Que me expele ,
A uma visão vazia .
No tempo contínuo ,
No sofrimento assíduo ,
Na veia que para de bombar ,
Estátuas de antigas concepções ,
Vem a ruir e tombar ,
Em múltiplas direções .
O espaço parece estar soberano ,
Sobre este mundo estranho e insano ,
Complicações doem , no cotidiano ,
Cada dia mais , me rendo ao profano ,
Um velho conceito que havia abolido ,
Este sentimento foi por demais polido ,
Um sentimento nu e dependente ,
Em seu estado descontente ,
Se curva perante a situação ,
Na ação e reação , 
Sem caminho ao peito , 
De uma duvidosa intenção ,
Momento inoportuno e imperfeito ,
Desculpe , coração em manutenção .