terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Lágrimas da tarde

Chove,
É mais de nove,
Vejo o céu ruir,
Ouço o lobo uivar,
O dia fugir,
A lua chegar,
Noite nublada,
Noite calada.

Chove,
Dissolve,
Este caldo depressivo,
Morto ou vivo,
Tudo tem seu momento,
Para sua alegria,
Seu lamento,
Do dia-a-dia.

Chove,
Comove,
Rememoranças,
O peito arde,
Lembranças,
Das lágrimas da tarde.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Uma boa surpresa

Com franqueza , 
Mesmo com fraqueza , 
Vale a pena viver , 
Consigo conviver , 
Acreditar em vitória , 
Ter paciência , 
Apreciar uma história , 
Que faz refletir a consciência , 
Ter a mente aberta , 
Uma hora a intuição acerta , 
E tudo flui como um rio , 
Ás vezes quente , ás vezes frio , 
Tudo gira em torno da persistência , 
E um pouco de ciência , 
A vida há de compensar , 
Fazer pensar e repensar , 
E seguir um rumo , 
Que em algum momento acostumo , 
Seguir em frente de alma coesa , 
Sempre com uma boa surpresa .

Tardes vagando por aí

Nenhum contato para ligar,
Ninguém para voltar ao final do dia,
Nenhuma independência para proclamar,
Nada que acalme a bateção cardia.
Saudades das divulgações de shows punk nas paredes da cidade,
Vontade do que já não existe por vaidade,
Um clipe ou um som no rádio,
A lembrança é a única coisa ágil.
Rostos parecidos,
Se misturam no aglomerado,
Tempos vencidos,
Não sei mais quando sou amado,
A incapacidade de reconhecer o amor,
A falta de habilidade de dar valor,
O corpo arde em calor,
O que antes delírio, hoje dor.
Tudo dizia para ficar,
Mas eu saí,
Tentando me identificar,
Tardes vagando por aí. 

domingo, 5 de janeiro de 2025

Cada segundo bem aproveitado

Aquele olhar de lado , 
Pude sentir ser amado , 
Seus olhos brilhavam , 
Seus trejeitos me amavam . 
Pelo aroma , 
De seu perfume , 
Que soma , 
Como de costume . 
Sua blusinha , 
De oncinha , 
Seus pés achinelados , 
Seus dedinhos delicados .
Seus cabelos dourados , 
Seus movimentos adorados , 
Cada segundo , 
Era pra meu mundo , 
Uma já saudade , 
Um pedaço eterno de felicidade , 
Vontade de ter falado , 
Cada segundo bem aproveitado .

sábado, 4 de janeiro de 2025

Falta de sorriso

Hoje em dia , 
Sobreviver é crime , 
Lutar por uma vida sadia , 
É jogar contra outro time . 
Perfeição , 
Sinônimo , 
De depressão , 
Um falso heteronômio . 
Tentar ser certo , 
Nunca funciona , 
Acabo em um defeito incerto , 
Uma má sensação aciona . 
O ser humano padrão , 
Talvez seja ilusão , 
Pode-se ter esperança , 
Mas jamais voltar a ter infância . 
A verdade levou embora a felicidade , 
Cada pílula para ir ao paraíso , 
Sou mais um nesta cidade , 
Invadido pela falta de sorriso .

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Há algo além da quantidade que errei

Chuva de verão , 
Alguns ventos quentes , 
Coisas do coração , 
Alguns repentes . 
Vejo o céu ruir , 
Alguém está bem zangado , 
O enredo há de fluir , 
Amado ou desamado . 
Vejo a vida ter sentido , 
Mesmo com todo o acontecer desmedido , 
Notícias andam como o vento , 
Sempre veloz , 
No peito o sentimento , 
Como uma foz .
Por detrás dos bastidores , 
Além dos laços anestesiantes dos amores , 
Posso ver a verdade , 
E a liberdade , 
Há algo além , 
Algo que sei , 
Como ninguém , 
Há algo além da quantidade que errei . 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Descartado como cartas de baralho

Uma voz dizendo que sou louco , 
Um temporal parece dizer adeus , 
Hoje valho muito pouco , 
Afastado e esquecido pelos meus . 
Viajei para o paraíso lunático , 
Achando que seria um mundo mágico , 
Mas o que tomei , 
Era uma passagem para o inferno , 
Do futuro já não sei , 
Munido de apenas sonhos em um caderno . 
O passado me come vivo , 
Qualquer movimento é nocivo , 
Ao passar dos anos , apenas envelheço , 
Cada vez mais neste mundo desconheço . 
O ódio chega sem perdir permissão , 
A raiva cega minha visão , 
Tudo parece praticar omissão ,
Qualquer foto feminina evoca tesão , 
O conforto sempre pareceu tão tentador , 
Estou tão velho que me chamam de senhor , 
Alguns cabelos grisalhos , 
Descartado como cartas de baralho .