segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Esfera de verso

Uma ideia vagando solitária ,
Assim como eu ,
Malicia na arte literaria ,
A caneta e a folha me escolheu .

Os ventos do sul ,
Tingem o céu de azul ,
Em plena chuva de verão ,
Em plena rima de janeiro ,
Bate forte o coração ,
Um clima agradavel e maneiro .

Faço das ruas , meus palcos ,
Produzo suturas , ao peito aos cacos .
A terra é pequena ,
Perto deste universo ,
Espero vida serena ,
Uma esfera de verso :

" Letras pra todo lado ,
Lido , escrito ou falado .
Rimas sobre tudo ,
Do azar e do sortudo ,
Das verdades individuais ,
Computadorizadas ou manuais ,
Das automáticas ou automatizadas ,
Criadas , evoluídas ou transformadas ,
Permanecerei neste estado imerso ,
Uma esfera de verso " .

O choro dos anjos

Choveu o dia inteiro ,
Um externo chuveiro ,
Provocando meu humor maneiro ,
Exponho meus sentimentos ,
Neste virtual letreiro ,
Valorizo meus momentos :

" Acordei com o latido ,
Da cachorra assustada ,
Nada que eu tenha curtido ,
Na cama , toda molhada .
Seu gemido ,
Seu medo ,
Meu jeito contido ,
Num horário nada cedo .
Levantei ,
O quintal encharcado ,
Quando olhei ,
Estava transbordado ,
Entupido ,
O ralo lotado ,
O caminho corrompido .
Levei ela na garagem ,
Desentupi o sistema de esgoto ,
Fiz uma triagem ,
Da sujeira , sinto o gosto .
Um temporal enfurecido ,
Caiu até gelo ,
No tempo entardecido ,
Molhados , a cachorra e seu pelo " .

A tempestade deu um alivio ,
Um tempo para prosear o trívio .
Invisíveis aos ouvidos ,
Ouve - se os zunidos ,
Quase imperceptíveis de onde estou ,
O que restou ,
Foram sons de banjos ,
O choro dos anjos .

domingo, 1 de janeiro de 2017

Defensor da liberdade

Escolhendo por quem morrer ,
Mesmo sem acreditar no fim .
Tristezas e mágoas vão ocorrer ,
Pra todos , pra você e pra mim :

" Deito sobre os dois travesseiros ,
Acordado e deitado ,
A insônia nestes tempos costumeiros .
Continuando este ciclo inacabado .
Fazem silêncio as moradas dos vizinhos ,
Mas dormem , não estão como eu , sozinhos .
A desgraça em meu peito se aloja e faz ninhos ,
Nem quero saber , como são estes passarinhos .
As ruas vazias , parecem disfarçar o conversar ,
E eu tentando algo bom versar .
Mas sei que até isso acaba ,
O vicio em rimar é enorme ,
Se contrariar , o mundo desaba ,
Um hábito que nunca dorme .
Em sonhos , em meu dia , em meu cotidiano ,
Em minha realidade , em minha noite , em minha rotina ,
Sou um transeunte perdido ao som da pia - piano ,
Um ator escondido atras da cortina ,
Desejando sumir ,
Fugir da vergonha ,
De não poder ir ,
Aonde está , o sonho que se sonha .
A terra jamais pára de girar ,
E eu jamais paro de pirar ,
Mas no fundo desejo o sono do justo ,
Tudo tem seu dever , direito e custo ,
Mas estou livre e disposto ,
Firme no sentido composto ,
Defensor dos valores da verdade ,
Conquistador e defensor da liberdade " .



Estilhaços de amargura

Evitando jeitos ,
Que me levam a brigar ,
Brigar são conceitos ,
Que insisto em negar .

A guerra acontece ,
Por pequenos conflitos ,
Que o tempo tece ,
Por corações aflitos .

A ansiedade ,
E a agressividade ,
São irmãs gêmeas ,
Duas vertentes homogêneas .

Pode - se escrever um novo final ,
Mas sempre haverá algo para substituir ,
O histórico antigo de guerras é o sinal ,
De que não há como fugir ou evadir .

Contrariar a guerra ,
Jamais será solução .
Doente planeta terra ,
Sem medida ou ação .

Na garganta presa ao nó ,
Madrugadas temendo só ,
O peito chora e murmura ,
Sobre os estilhaços de amargura .


Mensagens da realidade

Perdi o sono ,
O prazer de dormir ,
Não sei se telefono ,
Ou me coloco a fugir .

Perdi a vontade ,
Cansado e sem vaidade ,
Um corpo trabalhador ,
Querendo distrair ,
Pra amenizar a dor ,
Ou pro remorso sair .

Perdi o senso de perigo ,
Falta fé , falta um amigo .
Talvez eu continue duvidando ,
E estes buracos na alma remendando .
Não sei o que eu fiz ,
Mas não mereço mais ser feliz .

O cansaço aumenta a decepção ,
Mas alivia saber que parará o coração .
De chorar estou exausto ,
Os olhos vermelhos e inchados ,
A ressaca do holocausto ,
Os lábios frios e rachados .

Sou capaz de vencer ,
Muitas das vezes sem apoio ,
Com o que sobrou dos sentidos ver ,
Uma hora , a dor te torna zaroio .
A ordem dos acontecimentos ,
Jamais mudará os momentos .

Enquanto houver impunidade ,
Os cantos ainda causarem saudade ,
Estiver perdido buscando identidade ,
O mundo sem conhecer a hombridade ,
Continuarei meus escritos de autenticidade ,
Criarei mensagens da realidade .


Dois mil e dezessete

Agradeço ao antigo ano ,
A todo e qualquer ser humano ,
Gratidão eterna ,
Pela ajuda fraterna .
Aos dias de solidão ,
Aos dias de alegria ,
Sobrevivemos nesta imensidão ,
Deus está vendo , sorria .
Pelos problemas que venci ,
A fé vence o mal , provei e convenci .
Vou adiante ,
No tempo multiplicante ,
Sigo constante ,
Vivendo intensamente o instante .
Há um novo caminho ,
Me conta o cantarolante passarinho :

"Tenha fé poeta ,
 O resto Deus conserta " .

O melhor jeito de abraçar ,
Mais trezentos e sessenta e cinco dias ,
É um inovador plano traçar ,
Proliferar as rimas , em horas vadias ,
Ver o sol nascer mais vezes ,
Contar com qualidade os meses ,
Viajar mais ,
E dizer mais bom dia ,
Aos pais ,
Uma vida mais sadia .
E então o milagre se repete ,
Mais um ano : Dois mil e dezessete .

Algumas horas depois do fim do ano

Fiz comida ,
Fiz bebida ,
Cuidei da cachorra ,
Cuidei para que o mal não ocorra .
Recebi visita ,
Vi ,
Como a tarde é bonita .
Vivi ,
Em sumo .
Em resumo .
Parece uma nova era ,
Que no fim do túnel espera ,
Os escolhidos ,
Que serão acolhidos ,
Para um novo advento ,
É o que entendi ,
Do que disse o vento ,
Que me ensina , o que aprendi .
O inicio de um momento único ,
Me sinto como o primeiro show de um músico .
 A primeira receita de uma cozinheira ,
O primeiro pedaço de uma torta inteira .
Me sinto como a primeira teoria ,
De um inventor .
A primeira curadoria ,
De um curador .
Me sinto , como o primeiro objeto visto de um cego ,
Me sinto como atlas , o mundo carrego .
Me sinto de tudo que é jeito ,
Rogando oração no peito .
Eu tenho um plano ,
Mesmo que o mundo seja insano ,
Retirar golpe tirano ,
E olhar o lado humano ,
Mas há paz , mesmo neste globo profano ,
Vivendo algumas horas depois do fim do ano .