quinta-feira, 14 de julho de 2016

Vale dos esquecidos

Todos sumiram ,
De seus lugares saíram ,
Foram para distante ,
Além do vento cortante ,
Para adiante ,
Em outra coordenação , 
Outra religião ,
Em outra concentração , 
Sem próximos , sem condição .
Á beira de um colapso mental ,
Tudo mudou , até o quintal .
Onde estará meu povo ?
Além das novas , além do novo ?
Já busquei em tudo quanto é canto ,
Já me deixei absorver por este formato pranto ,
Fui a bares , padarias e mercados ,
Todos os locais mais comuns e marcados ,
Mas só encontrei solidão ,
Em todo este bairro imensidão .
Noticias são poucas ,
As verdades são loucas ,
A questão é profunda ,
A visão é dificultosa e imunda ,
Suja de tanta incoerência ,
Apenas vivem ,
Em minha estranha consciência ,
Em minhas ideias convivem .
Sei que talvez nunca haja mesmo jeito ,
De ter todos os aliados unidos no peito ,
Mas que ninguém se lembraria de mim , 
É um apocalíptico modo de viver o fim :

" Onde sou novato ,
Desconhecido ,
Sem contrato ,
Sem dia amanhecido .
A poeira se junta nos cantos ,
Sem magia , sem santos ,
Sonhos consumidos pela ganância ,
Procuro a pureza da infância ,
Um desejo consumido em reclusão ,
O problema é grande , em formato e em dimensão ,
É como uma grave contusão ,
Onde é enorme por intensidade e extensão ,
Só sobraram carros , gente estranha e mansões ,
O que pesquiso , é onde está os amigos de corações .
Mas tudo foi apagado ,
Sobrou apenas este pobre coitado ,
E nada mais para acrescentar ,
Apenas muita restrição , pra me arrebentar .
Acreditei que daria um tempo ,
Pra resolver qualquer contratempo ,
Pensei que iria ser bom ,
Aprender sobre as orquestras da vida e seu som .
Mas o que aprendi ,
O que compreendi ,
É que jamais meu coração será aquecido ,
E que agora sou maduro , grande e envelhecido ,
E que já se foram meus conhecidos ,
Resta tentar viver , neste vale dos esquecidos " .  
    

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