domingo, 30 de novembro de 2025

Cargas de memória do futuro

Quando a encontrei, 
Sobre o calor da poluição, 
Fugiu o quanto errei, 
E algo estranho surtiu no coração. 
Sob o voo dos pássaros metropolitanos, 
Em suas árvores de perfumes insanos, 
Um figura que vale a pena sofrer, 
Uma pessoa para dividir o amanhecer.
Na vitrine da loja, 
O capitalismo se aloja, 
Na propaganda em cada calçada, 
Uma sofrência na selva de pedra silenciada, 
Pelo maior, 
Sobre o menor, 
A competição de quem é o melhor, 
A disputa e a guerra por poder explícita no "Out Door".
Nasce uma planta no concreto, 
O destino é incerto, 
Tudo e todos em apuro, 
Cargas de memória do futuro.

sábado, 29 de novembro de 2025

Fome de entretenimento

Arrastei-me sobre o solo solar, 
O calor parecia silenciar, 
Final de ano, 
Cidade cheia, 
Tempo insano, 
Tudo se move como uma teia, 
Um círculo criado pelo todo, 
Como a água se move pelo rodo. 
Posso sentir o coração, 
De toda cidade, 
Por toda extensão,
Quase uma tribo da insanidade. 
Nas esquinas da solidão, 
Na mão suja a esmolar, 
Um alguém pedindo atenção, 
Qualquer trocado para descolar.
A fome transita por tudo, 
Fome de cultura, fome de alimento, 
Fome de amor, fome para ser sortudo,
A vida é uma fome de entretenimento.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Um dia aquele probleminha volta

Por todos os cifrões, 
Em todos os refrões, 
Por cada erro antigo, 
Em busca de um rosto amigo, 
O tempo cobra, 
Um dia acaba toda aquela manobra,
O problema alcança, 
Já não há fuga e nem esperança,   
É cruel a lembrança,
Um dia volta cada medo de criança, 
A maré sobe, 
Inunda tudo, 
Já não funciona ser esnobe, 
O problema vem em nível absurdo, 
O tempo passa de fuga a carrasco, 
Racha o rude casco, 
Só resta rendição,
Só resta escuridão,
E por mais que haja revolta, 
Um dia aquele probleminha volta.

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Punições por amar

Meu coração longe dela, 
A noite longe de haver sono,
Chora a lua amarela, 
Um temporal, em dúvida se telefono, 
A parte toda me falta, 
Um retalho que me abandonou, 
A tensão exalta, 
Pedaços espalhados do que sou. 
O relógio se move sozinho, 
É mais verde o gramado do vizinho, 
Posso sentir o frio corroer meus músculos, 
Sofro em todo lugar, 
Mas mais ainda, em português em tamanhos maiúsculos, 
Punições por amar. 
O peito sem lar, 
O silêncio que não quer calar, 
A vida por sinais parou de falar, 
O jovem dentro de mim permanentemente pôs-se a viajar.
Afogado, 
Neste amoroso mar, 
Pouco amado, 
Punições por amar.

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Inverdades de novembro

Na noite quente, 
Sempre cabe mais um repente, 
Histórias a luz da fogueira, 
Anedotas da vida inteira. 
Posso ser um só, 
Cada dia um nó, 
Um jeito de contar, 
Os anseios descontar. 
Quero uma passagem pro futuro,
Parar de se meter em apuro, 
Um ponto seguro, 
Um equilíbrio em cima do muro. 
O oponente invisível, 
Tornou-se visível, 
Quando olhei-me no espelho, 
Corpo turvo, olhos vermelhos. 
Lembro, 
E relembro, 
Uma ilusão para cada membro, 
Inverdades de novembro.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

A realidade do amor é melhor que apenas história

Ainda me lembro, 
Nós dois naquela escada, 
Ainda relembro, 
Eu amado e você amada. 
Entre um trago, 
E um gole, 
Um afago, 
Um desenrole.
Seus olhos brilhavam mais que o sol, 
Um lugar de amor,
Mais que só pro futebol, 
Lazer sob o calor. 
Posso ver seu reflexo e seu brilho, 
Quando olho pra ela, 
De cabeça erguida, nunca precisei colocá-la no trilho, 
Responsável e bela, 
Fruto de um carinho,
Colocou-a em um bom caminho. 
Seus olhos azuis ainda em minha memória,
A realidade do amor é melhor que apenas história.

domingo, 23 de novembro de 2025

Viagem ao Centro do Estado

Por uma extroversão momentânea, 
Por uma realidade instantânea, 
Pude ver agitação, 
Vislumbre por motivação, 
Carros, motos, caminhões, 
Dejavus e visões, 
Uniões, 
E divisões.  
Pessoas pra lá e para cá,  
Uma verdade perdida sem estar, 
Nunca saberei aonde a fonte está, 
Apenas por muito testar, 
E encontrar, 
A revelação adentrar.
Ternos e chinelos, 
Nuances do destino, 
Cinzas e amarelos, 
Noites e dias de menino, 
Homem e velho, 
Com tudo considero.
O valente e o coitado, 
Dado e emprestado,
Erradicado e enfestado, 
Viagem ao Centro do Estado.