segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Verão frio

Neste frio ,
Neste vazio ,
Flores secas que choram ,
Verão gelado ,
Em que nada comemoram ,
Enfileiradas ao lado ,
Vivem dentro de mim ,
E também fora ,
Celebram o fim ,
De um ciclo de agora .

Neste tempo esfriado ,
O coração congelado ,
Quebrantado ,
Sem chance de ser colado ,
Coitado ,
Em cacos e refrigerado .
Perdido e mal amado ,
Sozinho e desarmado ,
Vivendo a sombra de suas concepções ,
Em meio a miragens e alucinações .

Neste clima de inverno ,
Em pleno verão ,
Em sonhos hiberno ,
Amores haverão .
Em meio a um vazio , 
De um verão frio . 



Qual é o seu nome

Te vi ,
Em qualquer esquina da vida ,
Vivi ,
Para além de existir ou de comer comida ,
Para te ver ,
Lhe rever ,
E reaver ,
Para lhe escrever .
O entardecer ,
Se torna mais bonito ,
Por lhe conhecer ,
Mesmo que nada tenha dito .
Sentimos a brisa do ar ,
Notícias pelo vento e pelo mar .
Dizem que está tudo bem ,
Bem como ninguém .
Amo , por retribuição ,
Afinal nasci disto ,
De uma paixão ao coração ,
Por mulher e homem , misto .
Você sumiu ,
De mim fugiu ,
Mas não a culpo ,
Até me desculpo ,
A timidez falou mais alto ,
Novamente ,
Uma separação em contralto ,
Gritantemente .
Sei que não sou o cara da novela ,
Você não me ouve em seu rádio ,
Na verdade de todas , é a mais bela ,
E balança meu cardio .
Talvez nunca mais a veja ,
Em miragens , minha boca lhe beija ,
Meu coração a deseja ,
O fim do entardecer graceja :

" Não sei quem és ,
Da cabeça aos pés ,
Este sentimento me consome ,
Só queria saber , qual é o seu nome " . 


Namoros a tardinha

O labirinto enuveado ,
Por entre minha mente ,
O vento saboreado ,
Instantaneamente . 
Jogos do subconsciente ,
A verdade abstrata e latente .
Imaginações ,
Alucinações ,
Sua imagem ,
Em caixa ,
É uma viagem ,
Pela cidade baixa .
O gosto do seu lábio ,
Desafia qualquer sábio .
Vejo você dançando ,
Seu lábio vermelho ,
Acho que estou amando ,
Como reflexo ao espelho .
Um pouco de mim ,
Um pouco de você ,
Perigosa assim ,
Flores venenosas de um buquê .
Escolho o que amo ,
Escolho meu fim ,
Sussurrando lhe chamo ,
Venha até mim :

" Bebendo refrigerante ,
Degustando um cigarro ,
Oração constante ,
A um santo de barro .
Frio e garoa ,
Vazio a toa ,
Seu reflexo em tudo que é canto ,
Garota sedutora e de encanto ,
Enxuga e limpa meu pranto ,
Te quero e te desejo tanto .
Não a deixarei sozinha ,
Sou teu , você minha ,
Seja longe ou vizinha ,
Namoros a tardinha " . 


Eu : te amarei até o fim

Vento ,
Alimento ,
Do sentimento ,
Científico ou invento ,
Pode parecer o que for ,
Quando se entrega ao amor ,
No fundo é mais sábio ,
Tocar pelo menos uma vez ,
Um lábio ,
Na incerteza do talvez .
Juntar , é o que resta ,
Amar , os céus em festa .
A vida , um pedaço de suprimento ,
Viver , substâncias em sentimento .
Amor , exagerado em convivência ,
Amar , a arte de despejar inteligência .
Você , um pedaço de mim ,
Eu , te amarei até o fim :

" Sonhos pesados ,
Dentro da mente .
Pesadelos enfezados ,
Longe , constantemente .
Acredito na continuidade ,
Mas sem você , é impossível .
Já não tenho mais idade ,
Para qualquer plano infalível .
Pensei que o tempo era pouco ,
A espera , transformou - me em um louco .
Já não sei diferenciar ,
Já não sei evidenciar .
Mas no fundo sei que algo criei ,
A amplitude disto , só eu sei .
Se quiser , vem pra mim ,
Ame - me e diga sim ,
É assim que se faz , de onde eu vim ,
Eu : te amarei até o fim " .    

O sol raiou para todos

Dançando ,
Conforme a música ,
Amando ,
Numa tarde única .
As luzes da velha rua ,
Já estão acesas .
A noite antecipou , nua e crua ,
O nublado , as nuvens obesas .
Barulhos , grunhidos e sons ,
A vida foi feita para os bons ,
Porém , os não vitoriosos ,
Tem o seu lugar cabível ,
Afinal , antes de sermos gloriosos ,
Também ocupávamos o baixo nível .
Creio no bater de asas ,
Sobre as casas ,
No canto ao raiar do dia ,
Na emoção da bateção cardia .
Vejo , o que não vê ,
Beijo , o espelho além de você .
E encontro paz ,
A serena e capaz ,
No meu interior ,
Querendo ficar só ,
Pois absorvo negatividade e calor ,
Que por dentro forma um nó .
Então tenho de separar o sentimento ,
Entre eu e o outro , para sentir , o contentamento .
Mas nada com que se preocupar ,
Todo velho pássaro , tem o seu par .
Encontre o seu , 
Talvez seja eu ,
E talvez ninguém ,
Seja lá qual for este alguém ,
Tenha fé ,
De frente e de ré ,
Aceite todos os incômodos , 
Pois o sol raiou para todos .
 

Pensador e amante diariamente

Numa tarde de segunda ,
A vontade é profunda ,
Assim como a saudade ,
Que carrega a cidade .
Em um qualquer instante ,
Em qualquer local ,
No olhar constante ,
Da lente multifocal .
Vejo sua energia por tudo ,
Por entre todo cenário ,
Todo dia sortudo ,
Em um específico horário , 
Ter sua companhia ,
Qualquer dia ,
Para amar e ser amado :

" Razões me mantém calado ,
O frio me mantém cansado ,
O vazio me mantém quieto ,
O discernimento me mantém correto .
Tenho certeza que a amo ,
Mais do que meu nome ,
Da qual atendo e chamo ,
Na verdade que consome .
No vento de uma tarde triste ,
Está longe , mas sei que existe ,
Em algum lugar , em algum canto ,
Algo ou alguém aprecia o seu encanto . 
Sei que armei este estranho plano ,
Tentando sobreviver aos problemas do cotidiano .
Tudo se acerta na realidade e na mente ,
Pensador e amante , diariamente " .



A virtude de fugir

Fumo , para ver se a saudade evapora ,
Pra confirmar , se a falta vai embora :

" Os cigarros , no mesmo lugar ,
Perto da cama .
Fugir do pesadelo , ao me plugar ,
Afastar criaturas da noite , com a chama ,
Do fumo , do tabaco ,
Preciso , ainda sou fraco .
Perseguido por alucinações ,
Regido pelas próprias invenções .
Poesias de uma alma fragmentada ,
Poemas , de uma história desencontrada .
Os pedaços de um coração ,
As razões na oração ,
O vento na telha ,
Um indivíduo sozinho ,
A lua espelha ,
O reflexo fora do ninho .
No dia nublado ,
O vento calado ,
Os pisos molhados ,
O bem e o mal , mesclados .
Tive fé no futuro ,
Mas ele é demorado ,
O coração deixou de ser puro ,
Só quero fazer errado .
Esperando uma solução emergir ,
O passado ser digerido e agir ,
Desejando a aurora rugir ,
Vivendo , a virtude de fugir " .