quarta-feira, 19 de março de 2014

Quebrantar

Vi teu semblante novamente , 
Nada de tão compreensivo ou congruente , 
Mas sabe que deu saudade , 
De toda aquela ingênua bondade , 
Vejo como o tempo passou ligeiro , 
E meu dia não amanheceu , 
Meu pensar não sai por inteiro , 
E nosso amor jamais aconteceu , 
Sinto falta e falência da mente , 
E meu momento não é assim tão coerente , 
Mas já aconteceu coisas boas , 
Mas geralmente desligado das pessoas , 
Lembrei de nosso último beijo , 
Um sério toque sem qualquer gracejo , 
Por dentro ainda resta o desejo , 
E em dias de frio seu abraço almejo ,
Pensei em fugir e te encontrar , 
Mas para quê o passado adiantar ?
Espero pro instante certo em sua realidade entrar , 
E todos os obstáculos quebrantar .  

terça-feira, 18 de março de 2014

Ventos distantes do sul

Sempre acreditei que seria tudo brincadeira , 
Mas veio as cobranças , as contas e a rasteira , 
Aprendi que tudo posso quando falo a verdade , 
E acabei por fim na tão odiada puberdade , 
Cresci e vi o tempo ser eterno , 
Viajei e vi o quanto vale ser fraterno , 
Amando o fato de ser um ser humano , 
Com problemas , dificuldades e fama de insano , 
Percebi o quanto posso aceitar , 
E se erro em minha possibilidade posso consertar , 
E a noite hoje posso dormir e deitar , 
E se acontecer qualquer imprevisto na próxima irei acertar ,
E aonde em meu espirito as palavras acumulam pó , 
Me coloco em silêncio para me curar , 
Em uma forma mais única , indivisível e só , 
E depois consigo o meu amor procurar , 
Faço dos escritos minha base de entendimento , 
E da realidade minha forma de sentimento , 
O passado continua em minha alma , 
E sem a quietude não há calma , 
Pensei ,  e nada de lembrar , 
Meu estado rememorar :

" Em forma de um lençol estelar de brilho , 
É a luz da lua que ilumina um rastro em trilho , 
As montanhas escuras e na penumbra ,
Me corre rápido o sangue de forma rubra , 
Onde o céu estrelado é azul ,
Nos ventos distantes ao sul " . 

Um receoso em busca de sua verdade interior

A noite me chama a dançar , 
Entre o bem e o mal a balançar , 
Tentando um equilíbrio alcançar , 
Um mediano estado tentando traçar , 
O vento vem me convidar a escrever , 
De meu futuro vejo que nada pude prever , 
Apenas o que a vespertina deseja estou a ver , 
E a te reconquistar me proponho a me atrever ,
Penso no que posso em meu cotidiano ,
Procurando fugir de ser insano ,
Enfrento o perder e o dano ,
De deus um levado boneco de pano :

" Muitas perguntas e dúvidas ,
Tentando a liberdade como as outras vidas , 
Mas a libertação deixa outras almas atrevidas , 
Inclusive a minha em situações vividas  ,
Tento descobrir o segredo da sedução ,
O que move e o que é sua condução ,
O que acontece por trás de toda produção ,
Mas o que consigo é das suspeitas a redução , 
Um dia voltarei ao meu momento anterior , 
Um receoso em busca de sua verdade interior " . 

Esperando o amor e sua célebre volta

Penso em muitas formas de felicidade , 
Nesta sórdida , estranha e suja cidade , 
Ainda de nosso amor tenho saudade , 
Procuro encontrar onde está a bondade , 
Está dentro de mim , 
Daqui até o fim , 
E nada mais é retirado , 
Apenas adicionado , 
No mundo reintegrado , 
E a amar condicionado ,
Jamais de seus beijos esquecerei ,
E se desistir , tolo eu serei ,
Meus dias só são bons quando me canso ,
E depois desfruto de horas de descanso ,
Uma combinação perfeita , 
Uma sentimentalidade aceita , 
Um mundo virado , 
Um ser contrariado , 
Procurando seu caminho , 
Buscando compreender sozinho , 
E mesmo na distância , 
Que trás de volta a infância , 
Ainda há esperança , 
Tudo posso na perseverança , 
Vivendo como um ser em sua revolta , 
Esperando o amor e sua célebre volta . 

Rezando uma oração inventada e inexistente

Apaixonado por tudo , 
Se evito me iludo , 
Tentando superar o entender profundo , 
No meu interior o prazer fecundo , 
Vejo muitas tentações , 
Desbravo vários corações , 
Vejo tudo de formato bonito , 
E nunca me arrependo de nada ter dito , 
Até o que não devo quito , 
No interno o querer eterno e bendito , 
Faço da tela brilhante meu confessionário , 
Se for pensar é um desencontro hilário , 
Mas ainda gosto dela , 
No cardio em forma de capela , 
Aos céus agradeço , 
Pelo valor do apreço , 
Ouvi , 
E vi , 
Situações do cotidiano , 
Que me tornam mediano , 
Equilibrando até a alma , 
Que com um trago se acalma , 
Um dia de perseverança no trabalho , 
Um coração em seu caminho falho , 
Um desejo protetor , pessoal e persistente ,
Rezando uma oração inventada e inexistente . 

segunda-feira, 17 de março de 2014

Nestas escrituras do cardio apaixonado

Nesta braba segunda - feira , 
Tentando descobrir o que você queira , 
Vou longe na imaginação , 
Fazendo de minha vida uma repaginação , 
Em silêncio fazendo uma oração , 
Desejando reconquistar seu coração , 
As vezes esqueço da minha idade , 
Mais um defeito do que tenho por saudade , 
Nem tenho mais aquela vaidade , 
Sabendo que o valer é a bondade , 
Amo saber que ainda existe , 
E a verdade ainda subsiste , 
Dá tempo de voltar , 
No amor se revoltar , 
Me perder em noites de paixão , 
Esquecer que me espera a morte e um caixão , 
Viver sabendo que há continuação , 
Mesmo entre expios e provação , 
Poder entrar de peito aberto , 
Mesmo de você não estando perto , 
Faço com pouca malicia e mais improviso , 
Peço aos ventos que lhe diga tal aviso :

" Um dia iremos acordar um do lado do outro , 
E com um passado em presente no futuro um encontro , 
E poderemos desfrutar de um amor belo , 
E nesta dissolução de palavras nosso amor selo , 
O importante é saber amar e ser amado , 
Nestas escrituras do cardio apaixonado " . 

Um escritor e seus dedos de trabalhar encardidos

Pensei em fugir , 
Deixar o coração rugir , 
Temendo o tamanho da revolta tentei agir , 
Mas é mais forte o mundo e seu coagir ,
Estou cada vez mais perto ,
Do meu futuro previsto e certo ,
E nada consegue me fazer alcançar ,
Entre o mal e o bem a balançar ,
Nenhuma vida que tive é verdade ,
Sou apenas aquele que parou na puberdade ,
Alma rebelde , e corpo adulto ,
Vivendo neste perdido reduto ,
Vejo o quanto perdi ,
Com demônios ardi ,
Pensei ser o maior do universo ,
Mas hoje viajo o mundo escrevendo um verso ,
O mundo lá fora não é tão agradável ,
Mas em mim ainda resta um ser afável ,
Um daqueles que quer o correto ,
Que acorda de manhã e sai em busca de um afeto ,
Confesso ter muitos defeitos ,
Mas jamais me prendo a conceitos ,
Vou longe com estes amores incorrespondidos ,
Um escritor e seus dedos de trabalhar encardidos .