segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O mundo em que vivo

O entardecer ,
Recomeça seu espetáculo ,
O alvorecer ,
De inspirações em oráculo :

" Imagino que deva estar feliz ,
Com tudo que têm .
Sempre ouço , uma voz que diz :
' Procure este alguém ' .
O vento deste horário ,
Move o calendário ,
E tudo que há em seu torno ,
Em tempo comedido e morno .
As árvores , que são poucas ,
Cura a loucura , de tardes loucas .
Os carros , embora conforto ,
São campeões em tornar o motorista morto .
Ambulantes , vendendo seus badulaques ,
Dvd's e cigarros , fábricas de enfartes e baques .
Fumaças , de seus grandes tubos ,
Raciocínios , descosturados em cubos .
Tudo por uma vida melhor ,
Por uma boa história ,
Um enredo que sei decôr , 
Contextos que completam a memória .
Todos em busca deste papel enumerado , 
Esforços , que forçam , o peito colorado .
Para equilibrar ,
O bem cultivo ,
Ouço o peito vibrar ,
Este é o mundo em que vivo " . 

 

O exercício de carinho

Entre nós ,
O mundo saiu do lugar ,
Antes , durante e após ,
Nosso amor foi como alugar ,
Qualquer estabelecimento ou carro ,
Um  café , um chá ou um cigarro ,
Pra amenizar a dor ,
Para expelir este bolor .

Juntos ,
Acreditávamos ser possível ,
Assuntos ,
Sobravam no sentido mais incrível .
Tudo é a favor ,
Deste calor ,
Que afasta o pavor ,
Que transparece valor .

Unidos ,
Por uma determinação divina ,
Consumidos ,
Um ao outro , como menino e menina .
Faz diferença expressar ,
Cura o estressar ,
E toda a alma que houver ,
Volte , quando quiser .

" Na saudade de um mormaço ,
Eu fujo , eu encontro , eu caço ,
Tudo para descrever esta aventura ,
A busca do sentimento que cura .
Não há remédio em farmácia alguma ,
Para que esta sensação suma .
Apenas para que não me mantenha sozinho ,
Um dia encontrarei , através , do exercício de carinho " . 

Amor mofado

Segunda ,
Profunda ,
Várias inspirações ,
Verdades e aspirações .
Sonhos , sentimentos ,
Realidades e relacionamentos .
Tudo faz continuar ,
Apenas esta lembrança ,
Daquele luar ,
Que me devolvia a esperança .
Nesta tarde ,
Depois de um viagem ,
O peito arde ,
Buscando um lugar a margem ,
Um canto no paraíso ,
Um abraço ou um sorriso :

" Noites em que a brisa acorda ,
Dias em que o amor transborda ,
Em que o cheiro de terra ,
Agora aroma de poluição ,
Fugindo da guerra ,
E também da insatisfação .
Momentos em que é difícil respirar ,
Instantes em que os erros estão no ar .
Horas a fio ,
Rimando pra curar ,
Este vazio ,
Que só cura ao procurar ,
Um alguém interessante ,
Que me ame o bastante .
Me livro do passado ,
O tempo está ultrapassado ,
O peito , permanece calado ,
Nesta hora antiga ,
Neste mesmo estado ,
Procuro mais que uma amiga ,
Neste amor mofado " .
 

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Um novo amanhecer

O sabor do sal ,
O misterioso mineral ,
Me traz lembranças ,
Remete esperanças .

O vento me atravessa ,
Quando vejo sua imagem ,
Espero a próxima remessa ,
O caminho , o sonho , a viagem .

Quando vejo o sol ,
Acordando com lençol ,
Imagino seu lugar na cama ,
Sempre esteve acesa a chama .

Dias em que a ventania ,
Se põe a ruir os cantos ,
Nem toda sabedoria ,
Decifraria seus encantos .

A garoa fina ,
Deste infinito anoitecer ,
Ajuda e ensina ,
A esperar um novo amanhecer . 

Dia das bruxas

O vento frio ,
De um verão vazio ,
Estranhas vozes a mente ,
Abertura ao inconsciente .

Seres estranhos ,
Nas vielas ,
Sem perdas , sem ganhos ,
Visões nada belas .

Fantasias ,
Fantasmagóricas ,
Heresias ,
Metafóricas .

A noite promete ,
O anoitecer a internet ,
Cuidado ,
Todo cuidado é pouco ,
Desalmado ,
O ventre de um louco .

Estranhas percepções ,
Diferentes concepções ,
Vejo a ventania ruir no obscuro ,
Seres de outros mundos no meio do escuro .

Será miragem ,
Uma intrigante imagem ,
É dia , segure as buchas ,
O dia das bruxas .

Fragmentados em mil cacos

A alegria não está mais perto ,
Minhas sensações , são de cunho incerto .
Os laços fraternos ,
Externos e internos ,
Se tornaram fracos ,
Fragmentados em mil cacos .

Desejo um dia ,
Chegar em casa ,
A espera tardia ,
Que a tempos atrasa .
Como alarme falso de macacos ,
Fragmentados em mil cacos .

Pessoas , hábitos e lugares ,
Tudo é trívio ,
Céus , terra e mares ,
Sem alívio .
No mundo dos firmamentos opacos ,
Fragmentados em mil cacos .

Os seres humanos ,
Em frigios cotidianos ,
Se tornaram secundários ,
Sem exclusividade ou horários ,
São apenas corpos em sacos ,
Fragmentados em mil cacos .

Tempo fechado a vácuo ,
Realidade diminuída em macro ,
Como árvores reduzidas em nacos ,
Fragmentados em mil cacos .  

Descrição de encantos a praia

Vi você , no balanço do mar ,
Dia quente , pássaros a cantar ,
Foi como anjos a me chamar ,
Uma leve brisa , de encantar .

O cheiro de rosas ,
Equivalente a mil prosas ,
Seu corpo com a maré ,
Encontrei o sentido da fé .

No horizonte ,
O pôr - do - sol ,
Brilhante ,
Como um jovem girassol .

Seu sorriso ,
O paraíso ,
Seu gingado ,
Desenhado .

Antes que o anoitecer caia ,
Descrição de encantos a praia .