terça-feira, 8 de novembro de 2016

Ditadura da crítica

Melhorar ,
Colaborar ,
Evolucionar ,
Revolucionar .
Tal coisa está errada ,
Tal coisa está certa .
Tal moda está encerrada ,
Determinado conceito se conserta .
Opiniões ,
Destaques ,
Questões ,
Ataques .
Quero isso ,
Quero aquilo ,
Um pouco disso ,
Um muito em quilo .
As verdades e mentiras ,
Dos bastidores ,
Piadas em tiras ,
Respostas dos públicos consumidores .
Conversas ,
Troca de informações ,
Discursos as reversas ,
Bate - papo sobre decisões .
Discursos reveladores ,
Discursos ardilosos ,
A verdade e suas dores ,
Os efeitos desonrosos .
Tem de saber mais ,
Para direcionar o que é demais .
Resolver em conjunto ,
Um devido assunto ,
Decidir dizer ,
Por prazer .
Opinar em um qualquer corpo de jurados ,
Sobre os que devem ser em conta levados .
A opinião favorável ,
Ou desfavorável ,
De qualquer situação ,
Que tenha sua determinada dimensão .
Sobre conteúdo e extensão .
Próximo do sim e do não ,
O que vale é a intenção ,
De dizer com candura e atenção . 
Um lado e outro ,
Como uma realidade eclíptica ,
Encontro e desencontro ,
Na ditadura da crítica .  
 
  



 

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

As estrelas carregam o meu diário

Uma hora o frio vem ,
O dia aos poucos se vai ,
É cada vez mais escasso alguém ,
Rapidamente a tarde cai .

A sombra do céu é enorme ,
O sol se cansa e dorme ,
O dia se põe ao final ,
O silêncio dá o sinal .

O vento toma proporção ,
Aumenta a adrenalina emoção ,
Vejo o gigante dormir ,
Espero , o que está por vir .

O prazer diurno ,
Se foi ,
Ao momento noturno ,
Digo " Oi " :

" O meu peito a adormece ,
Um sentimento que entorpece ,
Espero o momento igualitário ,
O meu verdadeiro horário ,
Desejo um instante humanitário ,
Congruente , e não contrário .
Cacos de um coração solitário ,
Dizendo sentimentos e seu código binário ,
A lua carrega meu desejo totalitário ,
As estrelas carregam meu diário " .

domingo, 6 de novembro de 2016

Madrugadas ociosas

Acordando de madrugada ,
Uma insônia , uma tragada .
Sonhos imperfeitos e obtusos .
Minha imaginação e seus abusos .
Penso nas perdas e nas derrotas .
É tanta perdição ,
Que desvio dos caminhos e rotas .
Sem qualquer condição :

" Preso neste sonho ,
Ora risonho , ora tristonho .
Quero caminhar certo ,
Da realidade estar apenas perto .
Me contento com pouco ,
Talvez por isso sou louco .
Aprendi com experiência ,
O quão vale uma limpa consciência .
Me distancio do que faz mal ,
Evidencio o bem , me afasto do banal .
Vejo mínimo ,
Quase perdi a visão ,
Faço uma revisão .
E percebo minhas fraquezas ,
Percebo minhas franquezas .
Reparos defeitos do interior ,
Erros e falhas de cunho inferior ,
Doenças poderosas ,
Pouco amorosas ,
Destaco verdades honrosas ,
Madrugadas ociosas " .


sexta-feira, 4 de novembro de 2016

VACA - Viciados em ar - condicionado anônimos

Refrescante dentro ,
Abafado fora ,
Nos sobrados do centro ,
É comedido agora .

Querendo mais ar - condicionado ,
Em exagero , chego a ficar asfixiado ,
Com tanta refrescância ,
Perto ou a distância .

Hei de ter percebido na infância ,
Há de se abrir sindicância ,
Sobre o apaziguador ,
Do exagerado calor ,

Que permanece a insolação ,
A salvação são os ventos em ação ,
Um assunto curioso ,
Sobre o mormaço caloroso .

Espero solução ,
Da fervência produção ,
Me dirijo a um sobrado ,
Para manter o calor afastado .

É quente ,
Este repente ,
Do agir consciente ,
Por um ar mais decente .

Tenho de me tratar ,
Um psiquiatra talvez contratar ,
Talvez participar de uma comunidade , 
Que trate doenças da cidade , 
Para os vícios e seus sinônimos ,
Viciados em ar - condicionado anônimos . 




terça-feira, 1 de novembro de 2016

Ressaca a guerra

Cansado ,
Desalmado ,
Procurando um remédio ,
Para o persistente tédio .
Deixei de lutar ,
Voltei a escutar ,
Trato amigos ,
Como melhores ,
Novos ou antigos ,
Longe ou arredores .
Penso na amada ,
Na alta camada ,
Vê-la bem ,
Me conforta ,
Se está com outro alguém ,
Pouco interfere ou importa .
Deixei as armas de lado ,
Equilibro estando calado ,
Entro na paz constante ,
Viver sensato , é o bastante .
Abandonei a guerrilha ,
Substituí por cigarrilha ,
Com o pouco que tenho ,
Faço fumaça , no céu , paz desenho .
Um passado temporário ,
Mas que tomou meu horário ,
Me fez ir ao fim do pódio ,
Machucado e perdido ,
Escravo permanente do ódio ,
O coração quente e ardido :

" O sabor da derrota ,
Me vela , e me enterra ,
Este assunto que as vezes volta ,
Jamais por si só encerra ,
Causando revolta ,
Em toda a extensão da terra ,
Além da paisagem remota , 
Meu peito , canta e berra ,
Sem proteção ou escolta , 
Sobre esta ressaca a guerra " . 

Erudito discurso temerário ao fim

O doce olhar ,
Faz a retina molhar ,
O corpo tremer ,
O pensamento correr .

Um corpo sarado ,
Um sentimento amado ,
Faz crescer ,
Renascer .

Um gingado ,
Um rebolado ,
Um jeito especial ,
Uma persona oficial .

Viajo em intenções ,
E também desejos ,
Dando as atenções ,
Dando muitos gracejos .

Já fui longe demais ,
Pra te conseguir agora ,
Queria saber mais ,
Como te conseguir , se vou embora .

Meu tempo está acabando ,
Não há como medir ,
O céu está desabando ,
Não há para onde fugir .

Mas saiba , que te amei ,
O quanto ? só eu sei ,
Lembre - se : Estarei por aqui ,
Minha alma nunca sairá daqui .

Se quiser algo , digo sim ,
É vantajoso ,  a você e a mim ,
De um modo especial assim ,
Erudito o discurso temerário ao fim . 

  

O destino próximo de um trovador

Perto do fim ,
Uns segundos do fim ,
Uns momentos ,
Alguns lamentos . 
Saudade antecipada ,
Sentimentalidade emancipada .
Penso em continuar ,
Sob sol e luar . 
Viver dignamente ,
Direto e constantemente ,
Até aonde o sol adormece , 
Até onde a nuvem amanhece :

" Talvez queria ter conversado mais ,
Ter feito ainda mais , pelos meus pais ,
Ter dormido mais na calçada ,
Ter feito mais serenata a amada ,
Ter comido mais doce ,
Com molho agridoce .
Viajado mais para o inferno ,
Tentado salvar mais almas queridas ,
Mas neste sonho imutável hiberno ,
Tentando sarar minhas feridas .
Ter adorado mais a Deus ,
Ter ampliado o círculo de amigos meus .
Ter pouco , mais ser ,
Ter visto o sol nascer .
Ter distribuído rosas ,
Para as donzelas .
Feito muito mais prosas ,
Ter jantado a luz de velas .
Mas já se foi minha hora ,
Basta analisar o agora .
Agradeço ao mundo arredor ,
Por ter me feito melhor .
Aprendo até com desgraça e dor ,
O destino próximo de um trovador " .