domingo, 20 de agosto de 2017

Angústias do cotidiano

Edmar é um homem simples . Levado a acreditar na solidão devido a sua infância sofrida , divide com o vento sua exclusão e falta de identidade . Triste como nunca , angustiado para sempre . Um sem fim infinito em sua alma , marcado por encontros e desencontros , enraizados em sua fantasmagórica personalidade . Decide pouco , obrigado a muito . Nesta ordem e progresso , escravo de seus sentimentos , em tempos de culto a liberdade . Deseja paz , mas a lágrima em seu rosto é mais forte . Chora por seu passado , por seu presente , por seu futuro .O choro vaza por seus poros e pelas frestas da falsa casa . Que jamais ofereceu abrigo ou segurança alguma . Menos do que uma casa , mas sim , uma cela . Seus desejos obscuros o encarceram e o mantém fraco . Um passo é cansativo e comparativo a uma volta ao mundo , o deixam enfraquecido em excesso e exagero . O rio em seus olhos é de uma infinitude saliente . A cidade é contaminada , e invadida pela tempestade em sua retina , de uma forma insistente e pouco sadia .
Os moradores começam a correr , temerosos pelo desastre .Filas de carros , saqueamento de comércios , desordem geral e pública .
Mas eis que surge a coragem , ela é Lady Belly , a vizinha de Edmar . Ela pega um frasco de soro , no impulso de salvar a cidade . Invade a morada do choroso , e o lava da cabeça ao pé com soro fisiológico . E como ouro ao mais pobre mendigo o choro é contido .
Edmar e Lady Belly iniciam um bate - papo . Até que se entendem bem .
Os moradores da cidade - antes inundada e agora salva -  , ligam seus aquecedores e preparam rodos e panos , o trabalho será duro .
Edmar é curado . Até deseja se livrar do analista , afinal sob os olhos de Lady Belly , qualquer homem se curaria . E viveram encantados para sempre , esquecendo as angústias do cotidiano .

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