quarta-feira, 10 de maio de 2017

Terrível engano

Cidade do sul ,
Céu antes azul ,
Agora enegrecido ,
Jaz anoitecido .
Frio ,
Umidade ,
Vazio ,
Enfermidade .
Valsas com pingos no chão ,
Gélido e com comichão ,
Existe uma linha entre amar e viver ,
Ambíguas questões a que tenho de conviver .
Ela se foi a nove outonos atrás ,
E  nunca vou saber , o que havia por detrás ,
Pois aceitei ,
Errei ,
Desconsertei ,
Encerrei .
Agora o mínimo temporal ,
É uma temível tempestade .
O vento forma coral ,
Na noite e sua estranha vontade .
Abaixei a cabeça pro acaso ,
E com papéis e canetas criei um caso ,
E nada mais sou , senão pecador ,
Omissão de valores que trouxeram dor .
Hoje vivo de no máximo olhares ,
Navegando por ser humanos e seus mares .
A vida parece querer mais de mim ,
Mas tudo tem de terminar ,
Acontecer um definitivo fim ,
Para instantes fulminar ,
E se criar novos meios de continuar ,
Reflexões de poeta , no escondido luar :

" Precisamos conversar ,
Além de ouvir e versar .
O mundo é desigual ,
Admito , é o final .
Sinto no peito as chagas ,
Sinto na veia as mágoas ,
Um peito doente de amores ,
Que se envolve em canções ,
Tristes cantorias e clamores ,
Que aquecem corações .
Poderia ter tentado mais ,
Ter lutado como jamais .
Rimador insano ,
Futuro profano ,
De uma mina e um mano ,
Esta relação , terrível engano " . 

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