Andei até a mágoa passar ,
Pela bondade as calçadas fui amassar ,
Aprendi a pular , desviar , acompanhar ,
Caminhos que me fizeram sonhar ,
Esquinas , ruas , becos , vielas ,
Cansei de ver belezas as janelas ,
Aprendi a esperar e a continuar ,
Na alvorada , entardecer , madrugada ou luar ,
Marcas e cicatrizes dos calçados a apertar ,
Conheci a malícia cedo , e não há mais como consertar ,
Uma vez inserido no jogo de cintura ,
A subida se tornou uma pedra de pequena altura ,
Meu anjo , meu deus , meu amigo ,
Vem me livrar de prova e caso antigo ,
Traga - me são e salvo ao lar ,
Abençoe o meu falar ,
Me põe no lugar certo ,
Na hora certa ,
As chagas da paixão na mão aperto ,
E com ela meu ser flerta :
" Andei até sumir a consciência pesada ,
Peregrinei , até fazer efeito a rezada ,
Conheci , acostamento , calçada e asfalto ,
Aos poucos cresci , e fui ficando alto ,
Mas sempre respeitei a rua ,
A verdade nua e crua ,
Respeito do mendigo ao presidente ,
Tudo é motivo para andar ,
Desesperado , triste ou contente ,
Ouço a terra e seu debandar ,
Rogo a deus expios amansados ,
Desmanchando com os pés cansados " .
Nenhum comentário:
Postar um comentário