Uma manhã ensolarada ,
Uma suéter encalorada ,
Um maço de tabaco ,
Uma calça só o caco ,
Um tênis com sujeira ,
Uns centavos no bolseiro ,
Meias trocadas ,
Cabeleiras amassadas ,
Óculos , este novo ,
Saio e me perco no meio do povo . . .
Buscando e procurando ,
Sendo caçado e caçando ,
Tentando encontrar onde perdi aquela mão ,
Que junto a minha se tornava um só coração ,
Que me aquecia mais que o sol ,
Me deixava mais bêbado que etanol ,
Que me tira o sono na escuridão ,
Que faz de meus dias uma eterna oração ,
Precisando simplesmente daquela sensação ,
Uma sensibilidade para sair da rotina ,
Que fazia em mim de ternura um véu cortina ,
Que me deixava estupefato com suas palavras ,
Que me dava suspiro e também no estômago larvas ,
Que me fazia tão bem ,
Que parecia gostar também ,
Que me fez ser quem sou ,
Que um dia me amou ,
Que povoa minha lembrança ,
Que me faz voltar a ser criança ,
Que me faz acreditar ,
E nela creditar ,
Saudade daquele beijo desorganizado ,
Que torna meu cardio tão galvanizado ,
Que me faz pensar em quanto ainda posso tentar ,
Que de escrever e dissertar tão pouco me causa contentar ,
E na exatidão do manuscrito me faz perfeição ,
Que á tudo ao meu redor me faz ter afeição ,
Que tão iguais ,
Que quero mais ,
Que me tornou um ser tão pensante ,
Em um conflito constante ,
Mas este conflito de emoção ,
De ser algo valioso e de satisfação ,
Que me faz viver na simplicidade ,
Me perdendo em sua busca nesta cidade ,
Onde igual calor jamais encontrarei ,
Onde me persegue onde eu estarei ,
Um sentimento que insiste em permanecer ,
Que nos percalços me faz proceder ,
Que na alma me faz ter serenidade ,
Que me torna um ser de sinceridade ,
Que ainda acredito viver ,
Que em meu torno o mundo está a pintá ,
E contigo quero conviver ,
Seja lá onde quer que está .
Nenhum comentário:
Postar um comentário