Olhei o relógio , que costumava ficar calado , mas na solidão de uma noite quente , sussurra arrependimentos , pecados , omissões . Dias em que a casa permanece na poeira , dias em que a saudade invisível tem falta do intangível , dias em que o calendário é apenas mais um personagem que pesa sobre um coração de um rimador em busca de menos dias , pois cada mais dia , é mais algo para administrar e causar decepção . Percebo o gosto do ar , um pouco eu , um pouco as coisas , mas muito do que insisto em acreditar . A noite me diz adeus todas as vezes que fico acordado , como uma espécie de treinamento , para lidar com coisas ruins , um exercício para suportar o que significo como perda . Caminho pelos campos obscuros da mente . Encontro minha primeira lembrança feliz , perpasso as ferramentas de um velho avô sapateiro , choro uma lágrima seca , invisível , que quase como faca cega , apenas risca a pele , demarcando seu espaço melancólico e dormente em qualquer sonho de um amanhã melhor .
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