segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Neste fim de mundo esperando um resgate

Provei do gosto do ódio , 
Voltei ao fim do pódio ,
Pensei que estava tudo bem , 
Mas me machuca a falta deste alguém , 
No meio da emoção existem aproveitadores , 
No pacote vem junto um turbilhão de dores , 
Talvez saber o futuro não seja assim tão bom ,
Saudade da tua voz e seu som , 
No fundo do peito a amarga falência , 
No interior um grito de consciência , 
Uma rajada ao tragar o fumo  , 
E em versos de solidão me consumo , 
Talvez nunca houve amor , 
Só um estável calor , 
Noite e dia a deus em clamor , 
Esperando resgatar um valor , 
Sofrimento e culpa vão me salvar , 
E com o pouco que tenho poderei desbravar , 
Por este solo virgem , 
Fazer uma exótica viagem ,
Para conhecer meu medo , 
E poder sentir o vento contra cedo , 
Minhas histórias , 
Minhas memórias ,
Sofri o suficiente por muito pouco , 
No começo da noite , uma rima de louco , 
Como uma experiência do exército que não deu certo , 
Um monstro da torre que olha pra baixo e anda quieto , 
Um ser estranho e um tanto confuso , 
Que como objeto do criador está em uso , 
Um ponto insignificante no universo , 
Em sonhos de criança ainda imerso , 
Em matutinos de solidão me renovando ,
Em vespertinas escuras hibernando :

" um novo meio de viver , 
Tenho mãos , posso escrever , 
Rimas , Versos e refrões , 
Sentir e tentar aos corações , 
Posso continuar , Vejo uma luz , 
É ela ,  que meu querer produz , 
Sigo meu caminho ,
Rumo a deixar de ser sozinho , 
Existe uma esperança , 
Acredito no prosseguimento ,
Do meu sonho a herança , 
De um amor e seu evento , 
A tela brilhante me consola , 
A promessa de antes me esfola , 
Espero o sinal para coexistir fatos e engate , 
Neste fim de mundo esperando um resgate ".

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