Calço o velho tênis rasgado ,
Alguns dizeres engasgados ,
Vejo o luxo tentar me consumir ,
Mas com a luz da sapiência a boto a fugir ,
Ou gosto muito ou não gosto ,
Meu coração em paixão eu tosto ,
Sinto que meu amor está perto e como é bela ,
Tento fugir sem sucesso desta escrita em cela ,
Com um cigarro e um pouco de sorte ,
Uma leitura devoradora me mantém forte ,
Qualquer texto dissertativo ou discorrido ,
Mas sabe como é , o dia sempre é corrido ,
O tempo se tornou meu maior opressor ,
Sempre estou onde pouco desejo ,
E de meus lábios a um querer emissor ,
Esperando um encantado beijo ,
Sendo por fora homem ,
E por dentro monstro ,
Minhas riquezas somem ,
E meu sentir pouco demonstro ,
Meu demônio interno já consumiu toda a sentimentalidade ,
O que me resta é uma verdadeira amabilidade ,
Escrever talvez seja uma fuga ,
Desta vida que qualquer ser aluga ,
Desta escola de mal - amados sou o diretor ,
Um primo pobre de qualquer escritor .
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