quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Lágrimas do passado

Nesta garoa de setembro , onde o vento é frio , o sopro da brisa parece conversar , dialogar com algo de sua origem e estado , como uma ideia , uma evidência do passado , um pedaço de mim despedaçado e colocado para fora , como um organismo vivo , uma forma de vida com seu próprio funcionamento , um estilhaço de vida com suas próprias leis e regras . Em cada respiração , sinto uma partícula fora , um retalho de mim , vivendo com energia e força além do normal . Uma certa tristeza que ficou retida no tempo , uma melancolia em seu próprio espaço e tempo , decorrente de um instante antigo , convivendo sem qualquer coração , sangue , corpo , mente , ossos e/ou alma . Até as pessoas boas tem segredos , até as pessoas felizes já foram tristonhas , até as pessoas fortes já foram fracas , até as pessoas alegres já tiveram suas depressões , até as pessoas mais equilibradas já tiveram suas lágrimas do passado . 

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