terça-feira, 16 de abril de 2019

Explorador de palavras

Chuvas frias de abril , a ventania é um rádio sem liga/desliga , dizendo o nome dela pra todo canto , o sobrenome da vida é decepção , cá estou refletindo comigo mesmo . O ar úmido mistura-se com as lágrimas secas em meus olhos , nada é justo , apenas o suficiente para abastecer a sensação . As mentiras e as traições , me tornaram cego , é complicado lutar com o invisível , mas sabe-se que está lá , esperando o momento certo , para ampliar seu número de vítimas . Amei o que não me amou , mania de me moldar para somar e completar . Ser o tempero das coisas , uma parte perdida do quebra-cabeça , o guache que falta na pintura , um mínimo de açúcar para o café , o pão sovado do café-da-manhã . Leio a alma do escritor ao folhear um livro , sinto o sofrimento do animal quando como sua carne , me esquento com o sangue de árvores mortas ao folhear o papel no geral . Como um deguste indireto do sofrimento alheio , como uma drenagem do invisível , um leitor de almas , devorador de energias , explorador de palavras .

Nenhum comentário:

Postar um comentário